Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 02/11/2019
Segundo Susan Smith, geógrafa, a formação das economias centrais propiciou a esses países altas taxas de arrecadação, o que, segundo a mesma, teve boa porcentagem reinvestida em educação por parte desses estados, como forma de melhorar a economia por meio do conhecimento. Em oposição a esse fato, o Brasil apresenta elevadas taxas de evasão escolar, consequência da formação histórica do país e do baixo investimento no setor educacional básico. Dessa forma, medidas que busquem melhorar a qualidade da educação precisam ser tomadas, a fim de reduzir o problema da evasão escolar.
Em primeira análise, o contexto histórico do País é a maior causa do estado atual da educação básica, cuja deficiência é a maior causa de evasão escolar. De acordo com Boris Fausto, historiador, a tardia industrialização do Brasil, além de gerar problemas de arrecadação para o País, necessitava de mão de obra rápida - pela política de atração à multinacionais -, o que explica o maior investimento nas universidades. Assim, esse cenário favoreceu que o ensino básico recebesse escassos recursos da união, o que se reflete na insuficiente infraestrutura para assegurar os alunos no sistema, pois a falta de materiais e transporte, os quais, muitas das vezes, não podem ser arcados por essa camada social, favorece que esses jovens larguem os estudos para trabalhar. Assim, fica evidente a parcela histórica no problema da evasão escolar.
Outrossim, apesar de o cenário ter melhorado de 2004 a 2014, ainda há uma grande discrepância entre o investimento do ensino superior para o básico, o que reduz a velocidade dessa melhora. Conforme anunciado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o número de jovens brasileiros formados no ensino médio aos 17 anos, aumentou de 5%, em 1994, para 19%, em 2014, evidência da redução de evasão escolar. Entretanto, segundo o Ministério da Economia, mais da metade da verba pública destinada a educação vai para o ensino superior. Assim, evidencia-se o descaso com a educação básica, pois nela o indivíduo é inicialmente apresentado ao ensino, o que, se for de qualidade, reduzirá as chances que esse deixe o ambiente escolar antes do tempo.
Portanto, indubitavelmente, a história e o baixo investimento na educação básica são fatores relevantes para a taxa de evasão escolar. Diante disso, o Estado deve aumentar a verba para a educação básica, por meia de realocação de verba do ensino superior para esse, além de aumentar a porcentagem do orçamento público para a educação em geral. Busca-se, com essa medida, que melhore a infraestrutura da educação básico, provendo transporte - para as comunidades que precisam -, materiais e profissionais necessários. Somente assim, o problema da evasão escolar será resolvido.