Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 09/02/2020

O filme britânico “Uma Lição de Vida” relata a história de Maruge, um africano de 84 anos que busca, de maneira alegre e positiva, completar seus estudos após ter abandonado o colégio para servir no campo militar. Fora da ficção, esse cenário de evasão estudantil também está presente no cotidiano brasileiro e tornou-se um sério problema, visto que – seja pela ineficiência estudantil, ora pela negligência estatal – compromete o crescimento profissional dos cidadãos e promove a manutenção de aspectos desiguais na sociedade.

A princípio, cabe analisar o papel ineficiente das escolas sob a visão do sociólogo francês Émile Durkheim. Segundo o autor, o indivíduo só poderá agir na medida em que conhecer o contexto em que está inserido. Analogamente, o atual âmbito estudantil dos jovens – o qual grande parte das escolas não oferecem atividades interdisciplinares, auxílio pedagógico ou uma identificação do aluno com as disciplinas – permite que os ambientes acadêmicos fiquem menos atrativos e, gradativamente, favoráveis para a realização do abandono. Por consequência, o potencial transformador dos colégios perde o seu poder e a elevação profissional dos estudantes tende a ficar limitada.

Ademais, além das escolas, a negligência do governo também corrobora na problemática e convém ser contestada sob a perspectiva do sociólogo britânico Thomas Marshall. Segundo o autor, os direitos civis, políticos e sociais devem ser oferecidos aos cidadãos para que ocorra a construção da cidadania. Dessa forma, o atual Poder Público contradiz esse pensamento ao promover poucas campanhas de combate à evasão estudantil, as quais, frequentemente, não são efetuadas em regiões de vulnerabilidade social e dificultam o incentivo acadêmico como uma saída de contextos desfavorecidos. Logo, observa-se um panorama educativo defasado e o abandono escolar em locais economicamente fragilizados, o que mantém altos índices de desigualdade coletiva pelo país.

Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com as universidades, deve criar projetos acerca da evasão escolar, de modo a recrutar universitários, semanalmente, para auxiliarem os alunos em atividades interdisciplinares e cativar a identificação pelas áreas de atuação. Dessa maneira, será possível aproximar os jovens das disciplinas e permitir que o ambiente estudantil fique atrativo. Além disso, o governo, por meio de verbas públicas, deve ampliar campanhas de incentivo acadêmico, com foco maior em favelas e cortiços, a fim de aperfeiçoar infraestruturas educacionais e impedir que jovens saiam dos colégios precocemente, assim como Maruge em “Uma Lição de Vida”.