Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 24/03/2020

De acordo com o Art. 205 da Constituição Federal de 1988, a educação é um direito que deve ser garantido a todos. No Brasil, conforme dados do IBGE, aproximadamente 12% dos jovens, entre 15 e 17 anos, estavam fora da escola no ano de 2018, e têm suas cidadanias ameaçadas, por não gozarem de um direito constitucional. Sabendo disso, o Governo deve investigar as origens, estruturais e individuais, desse problema, para que tome medidas cabíveis que reduzam a evasão escolar.

Em primeiro lugar, com relação aos problemas de estrutura da educação brasileira, destaca-se a questão da forma como o conteúdo é passado aos alunos. Segundo o educador e filósofo Paulo Freire, a melhor maneira de disseminar o conhecimento é a partir da Educação Libertadora - retratada em sua obra, “Pedagogia da autonomia”, como uma transmissão horizontalizada, na qual o professor e o aprendiz estão no mesmo patamar, aprendendo e ensinando, sendo o educador apenas o mediador entre teoria e aluno. Entretanto, nas escolas do Brasil, predomina o que o autor chama de Educação “Bancária”, na qual os docentes, apenas depositam o conhecimento aos estudantes, sem que o conteúdo seja inserido de forma atrativa. Dessa maneira, o principal reflexo é o desinteresse dos jovens em continuarem na escola, contribuindo para o aumento do abandono das instituições de ensino.

Além disso, dentre as causas para muitos brasileiros não frequentarem as escolas, estão algumas questões individuais. Uma delas é o fato de que muitos precisam trabalhar para complementar a renda dos familiares - o que explica o fato de que a evasão é oito vezes maior entre jovens de famílias mais pobres, de acordo com dados do IBGE em 2018. Junto a isso, a gravidez precoce é outro motivo para que muitas meninas não concluam os ensinos, devido à mudança de prioridades, como mostrado no documentário “Meninas: Gravidez na adolescência”. Ambas as situações contribuem para o que a economia denomina Ciclo da Pobreza - série de fatores ou eventos pelos quais a pobreza, uma vez iniciada, permanece até que seja interrompida por uma intervenção externa - e têm como consequência a ameaça à outros direitos, como trabalho e moradia, que garantem dignidade aos indivíduos.

Assim sendo, com vistas a reduzir a evasão escolar, o Governo Federal deve tomar providências que solucionem os obstáculos, nos âmbitos estruturais e individuais, que impedem a frequência dos alunos nas escolas. Para isso, o Ministério da Educação deve reformular a grade curricular, por intermédio de especialistas, especificamente os inspirados na metodologia de Paulo Freire. Ademais, deve reduzir os motivos que fazem os jovens abandonarem os estudos, por meio da concessão de vagas em programas, como o Jovem Aprendiz, nos quais o jovem tem a oportunidade de trabalhar e estudar, e por meio da promoção da educação sexual dos adolescentes, visando reduzir a gravidez precoce.