Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 28/03/2020

“A maioria das matérias que eles dão eu acho inútil.Em vão.Pouco interessante”.O fragmento da música " Estudo Errado" do compositor Gabriel o Pensador, revela a indignação do eu lírico com o sistema de ensino ultrapassado e pouco estimulante. Esse sentimento, compartilhado pelos jovens, torna-se um dos motivos para a crescente evasão escolar vivenciada no Brasil. Desse modo, o Estado falha em fornecer uma educação de qualidade, contribuindo para a evasão, uma vez que negligencia uma reformulação no sistema de ensino e não combate a busca precoce pelo mercado de trabalho.

Nesse sentido, contribui para a perpetuação dessa problemática a ausência de metodologias educativas voltadas ao aprendizado de forma mais estimulante e participativa. Além disso, compete ao Estado a função de cumprir os direitos e deveres previstos na Constituição Federal. Esta, por sua vez, reza em seu artigo 205: " A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade". No entanto, a realidade brasileira diverge do proposto na Carta Magna, na medida que o ensino ofertado pelo Governo apresenta-se como desinteressante e de qualidade questionável.

Outrossim, concomitante a essa falha estatal, emerge uma das principais causas para a evasão escolar: a priorização do trabalho em detrimento da escolarização. Consoante o filósofo alemão Jurgen Habermas " A sociedade é dependente da crítica às suas próprias tradições". Nesse viés, a opinião popular trata como “natural” essa priorização do trabalho, sendo motivo “nobre” para auxiliar na renda familiar; já que essa prática perpetua-se por gerações. Sendo assim, a coletividade é complacente com esse cenário que fere direitos constitucionais e perpetua um âmbito de vulnerabilidade social.

Urge, portanto, a necessidade do Poder Público intervir nessa taciturna realidade que se encontra a educação brasileira. Para isso, o Ministério da Educação deve estimular a permanência dos discentes nas instituições de ensino, por meio da disponibilização de bolsas e auxílios financeiros como forma de recompensar os alunos com boas notas e frequências constantes, com o intuito de combater a evasão escolar e o trabalho informal que retira o jovem do ambiente de ensino. Ademais, o Ministério da Justiça deve impor medidas coercitivas para as famílias que impedem o acesso da criança a escola submetendo-à outros afazeres domésticos ou laborais; através da retirada de benefícios governamentais, com o fito de instigar uma mudança de postura garantindo assim, o direito a educação como previsto no artigo 205 da Constituição  Federal de 1988.