Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 14/04/2020

No filme “Escritores da liberdade” uma educadora de literatura inglesa tenta aumentar o interesse de seus alunos nos estudos em uma escola periférica marcada pela violência e evasão escolar. Por meio da escrita de diários ela consegue resgatar a autoestima  de seus estudantes e melhorar o futuro de vários deles. De forma análoga, ao cenário encontrado pela protagonista essa realidade faz parte do cotidiano de diversas instituições brasileiras. Nesse viés, é necessário analisar como a falta de investimentos públicos em transporte na zona rural e a dificuldade em absorver os conteúdos ensinados desestimulam muitos alunos a concluírem seu  aprendizado . .

Em primeiro lugar, a ausência de investimentos públicos compromete o conhecimento nas regiões interioranas. De acordo com o INEP, a escolaridade média da população de 15 anos ou mais que vive na zona rural é de 3,4 anos e corresponde a quase metade da estimada para a urbana, que é de 7 anos. Isso ocorre, pois essas crianças devem percorrer distâncias quilométricas para chegar na sala de aula e quando há transportes  ele é feito por meio de ônibus velhos e sem reparos, sendo assim, esses transtornos comprometem sua integridade física, emocional e também seu aprendizado,pois muitos deles já chegam cansados nas salas. Assim, a infra-estrutura precária nessas regiões contribui com os altos índices de evasão escolar e também  com a manutenção desse ciclo de marginalização.

Em segunda análise, a dificuldade em assimilar os temas lecionados contribui com a saída de vários alunos. Segundo a  pesquisa Motivos da Evasão Escolar, 40% dos jovens que entram no ensino médio não concluem sua qualificação por acreditarem que ela é desinteressante. Esse quadro pode ser explicado pela falta de base para absorver conteúdos mais complexos, pouco uso de tecnologias nas aulas e de interatividade . Por outro lado, Paulo Freire em seu livro Pedagogia do Oprimido,  critica esse modelo educacional rígido e propõe uma educação libertadora, na qual professores e alunos trocam experiência e juntos constroem o conhecimento. Por isso, essa didática favorece  o abandono precoce, uma vez que  diminui sua qualificação e prejudica a conquista de melhores salários.

Portanto, a escassez de politicas públicas e a falta de interatividade nas aulas são fatores que contribuem com a evasão escolar. Nesse sentido, com o objetivo de aumentar o interesse dos alunos  o Ministério da Educação deve promover uma reformulação na grade curricular por meio da contratação de especialistas na área, pedagogos entre outros, que adotem a metodologia de Paulo Freire para que a educação libertadora possa facilitar o conhecimento e também acabar com as desigualdades sociais. Outrossim, as prefeituras municipais devem investir no transporte público para que as crianças do campo tenham as mesmas taxas de qualificação que os alunos que ocupam as zonas urbanas.