Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 22/04/2020
O Brasil enfrenta problemas estruturais, quanto ao acesso à saúde e à educação, deste a sua independência, enquanto colônia de Portugal em 1822. Logo, pode-se inferir que a estrutura política durante o Período Imperial e após a Proclamação da República, em 1889, não refletiram em melhorias para grande parte da população. Assim, nesse contexto, convém abordar o grave problema de evasão escolar no referido país, a partir da análise da gestão pública e da sociedade civil.
Primeiramente, pontua-se a ineficiente ação do poder governamental em gerir a esfera educacional a nível nacional, no questão da prevalência de alunos e alunas no ensino regular de estudo, do ensino infantil até o término do ensino médio. Prova disse reside em 11,3 milhões de analfabetos e decréscimo de 3,1% do número de matriculados do ano de 2017 para 2018, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do INEP, respectivamente. Dessa forma, observa-se uma expressiva porcentagem de habitantes sem acesso aos direitos básicos e fundamentais para obter uma vida com dignidade, uma vez que o nível educacional baixo está diretamente associado a déficit na saúde, na moradia e na segurança.
Por conseguinte, pode-se atribuir parte dessa problemática à população, seja de modo direto ou indiretamente. Visto que há escolas gratuitas, auxílio social (como o bolsa família) e parte dos materiais escolares custeadas pelo poder público. No entanto, sabe-se que as condicionantes objetivas para mudança de ação são bem mais complexas e profundas, que podem estar associados a estrutura cultural, social e familiar. Dessa maneira, de acordo com Paulo Freire, compreende-se que " Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou sua construção". Nesse cenário, é fundamental a alteração da mentalidade para solucionar a alta disparidade estrutural brasileira.
Fica evidente, portanto, a necessidade em melhorar os parâmetros de evasão escolar. Para isso, o Ministério da Educação deve implementar oficinas de busca e de apoio aos estudantes com faltas frequentes, na esfera estadual e municipal, por meio de equipe multiprofissional, com presença de psicólogos, de pedagogos e de assistente social, com o intuito de auxiliar na resolução dos entraves inerentes às ausências, e assim promover o retorno ao sistema educacional, de modo a minimizar essas estatísticas e garantir a plena cidadania usurpada durante séculos do sistema político. Em adição, a midia pode intervir na disponibilização de um programa semanal de rádio, voltado para estimular a adesão ao ensino formal e mitigar entraves através do diálogo e do esclarecimento da importância da educação.