Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 08/05/2020
“A educação não transforma o mundo. A educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo.”. A frase do pedagogo Paulo Freire deixa nítida a importância do ensino na modificação da realidade social no Brasil. Entretanto, o aumento da evasão escolar contraria o que fora defendido pelo filósofo. Dessa forma, questões como a má qualidade do ensino e o baixo investimento em escolas precisam ser solucionadas na esfera atual.
Em primeiro plano, a qualidade contestável da educação corrobora para a saída de jovens do âmbito escolar. A esse respeito, de acordo com a Constituição de 1988, a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família e precisa ser ministrada com um padrão de qualidade. Nessa conjuntura, a falta de uma gestão adequada a qual irá exigir que todos os conteúdos sejam ensinados de forma a dar uma ótima base acadêmica para o aluno e, consequentemente, facilitando a sua entrada na universidade e a mudança da realidade social, compromete a garantia desse fundamento constitucional. Dessa maneira, enquanto não houver uma administração a qual assegure uma didática apropriada e atrativa, o estudante não verá vantagem em permanecer no colégio.
De outra parte, a infraestrutura precária impede a permanência das pessoas nas instituições públicas de ensino. Nesse contexto, segundo um estudo realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIC), mostra que o desempenho dos alunos que estudam em ambiente com boa estrutura física é superior aos que não dispõem do mesmo local. Em vista disso, quando não há investimento para construção de laboratórios, salas de aula confortáveis e quadras esportivas, o aprendizado teórico e prático ficam comprometidos, levando ao desinteresse do adolescente em continuar na escola. Assim, enquanto a ausência de verbas destinadas ao investimento estrutural persistir, o Brasil será obrigado a conviver diariamente com um dos mais graves problemas para a educação: a evasão escolar.
Torna-se evidente. portanto, que medidas são necessárias para tratar a saída precoce de jovens do campo acadêmico. Nesse sentido, o setor administrativo das instituições de ensino devem, por meio de um plano de reestruturação didática, requerer dos professores uma metodologia a qual transmita o conhecimento de forma aprofundada e desperte o interesse do aluno, a fim de garantir a sua participação e frequência nas aulas. Ademais, o Poder Público deve destinar recursos aos colégios para a construção de ambientes bem equipados, com o intuito de assegurar o desenvolvimento da pessoa nas matérias e a permanência na escola. Dessarte, a ideia da educação como ferramenta para a mudança dos indivíduos, apresentada por Freire, será frequentemente notada no Brasil.