Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 06/05/2020

Na série “Breaking Bad”, o personagem Jesse Pinkman, após largar a escola, passa a viver à margem da sociedade, consumindo drogas e trabalhando no tráfico com Walter White. No entanto, as decisões errôneas de Jesse, que ocorreram após a sua saída do ambiente educacional, não se limitam à sua entrada no mundo do crime, também são nítidas ao avaliar a manipulação psicológica exercida por Walter. Similarmente, no contexto contemporâneo brasileiro, a evasão escolar apresenta-se como um quadro catastrófico ao possibilitar dificuldades de ascensão econômica de muitos, mas também por gerar tendência mais forte à alienação política.

Antes de tudo, é necessário destacar que o sistema capitalista tende a garantir que uma pequena elite seja possuidora das riquezas econômicas. A esse respeito, o sociólogo Karl Marx defendeu que a economia de mercado beneficia determinada classe social e garante a exploração dessa classe às demais. Dessa forma, torna-se nítido que, com o advento do modelo Taylorista, a exigência da especialização do trabalhador, como forma de garantir sua inserção no mercado de trabalho, passa a ser obrigatória. Assim, há uma dificuldade natural de pessoas desprivilegiadas que saíram precocemente da escola na procura por empregos bem remunarados. Com isso, a estrutura capitalista garante a manutenção do horrendo quadro de enorme desigualdade econômica do país.

Outrossim, é imperativo destacar a implicação política da evasão escolar. Acerca dessa premissa, é válido salientar um pensamento de Aristóteles, segundo o qual o homem é um animal político e a educação serve como uma ferramenta de contestação popular das ordens política e social da comunidade. Ademais, dados preocupantes do IBGE alertam que mais de um milhão de estudantes largaram a escola antecipadamente nos últimos dez anos. Portanto, torna-se claro que a principal causa da negligência de muitos burocratas perante tal situação reside no fato de que é benéfico à classe política a manutenção de certa camada popular facilmente manipulável, haja vista que a escola funciona como o principal centro formador de indivíduos questionadores às ações do corpo social.

Em suma, torna-se evidente a carência na minimização da ocorrência da evasão escolar no país. Cabe, então, ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Cidadania, por intermédio da aprovação de um projeto de emenda à constituição, promover um maior acesso à educação virtual a alunos que vivem em áreas afastadas de regiões que possuem escolas. Devem ser realizados testes seletivos de conhecimento aos docentes interessados na administração das aulas, bem como deve ser assegurada pelo Estado a garantia ao acesso à internet desses estudantes. Assim feito, espera-se que a ideia aristotélica de educação prevaleça e que estudantes não sigam o caminho de Jesse.