Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 06/05/2020
Em sua obra “Pedagogia da Autonomia” o sociólogo Paulo Freire classifica a educação do Brasil como historicamente conteudista, ou seja, pouco voltada para o desenvolvimento da cidadania e autonomia dos alunos . Nesse contexto, admite-se que os obstáculos enfrentados no combate à evasão escolar brasileira associam-se, não só, ao desinteresse dos jovens diante da grade curricular bem como da estrutura precária das instituições. Portanto, é primordial que o Estado desenvolva estratégias que garantem o direito do acesso à educação previsto na constituição.
Em primeira análise, é válido descartar que diante do desinteresse juvenil em relação à conclusão de sua formação, os principais entraves focam-se no fato de o conteúdo repassado nas salas de aula não apresentarem aplicações práticas na realidade dos estudantes. Ademais, o sucateamento no setor educacional reflete em ambientes precários e carentes em atrativos de estudo e oportunidades de conhecimento. Logo, é necessário que as instituições visem mudanças no âmbito intelectual e físico escolar.
Em segunda análise, é possível destacar que a educação como sinônimo de cidadania e direito previsto na Constituição Cidadã de 1988, possibilita, segundo o pensador Thomas Marshall, o acesso a outros direitos civis, sociais e políticos como o trabalho, moradia e saúde. Além disso, em decorrência a incompletude da seguridade a formação completa , o cidadão tem um prejuízo quanto às oportunidades profissionais. Assim, a necessidade de se combater o abandono escolar decorre também na solução das desigualdades sociais existentes.
Diante do exposto, objetivando alcançar o maior interesse dos imberbes em relação ao ensino, o Ministério da Educação deve desenvolver uma reforma da grade curricular educacional por meio da contratação de especialistas da área, especificamente, aqueles que possuem uma metodologia de educação libertadora semelhante à de Paulo Freire, na qual professores e alunos moldam o conhecimento com base em uma aplicação prática desse, a realidade do estudante. Somado a isso, o governo deve criar parcerias com organizações privadas para financiar salas de informática e quadras poliesportivas, por exemplo. Desse modo, alcançar-se-á da mudança do quadro de abandono escolar no Brasil.