Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/05/2020
Questões familiares, desinteresse, bullying e reprovação. Estes são alguns dos motivos que impulsionam a evasão escolar, isto é, o abandono da vida acadêmica. Segundo um levantamento do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2014 havia mais de 1,3 milhões de jovens brasileiros entre 15 e 17 anos sem concluir o ensino fundamental. Todavia, essa fuga do meio escolar caracteriza-se em um problema, uma vez que isso afeta tanto os indivíduos na questão da manutenção do ciclo da pobreza, como a sociedade como um todo, que terá um deficit de mão de obra qualificada.
Primeiramente, fala-se em ciclo da pobreza, uma vez que o mesmo relatório do IBGE conclui que a maior parte dos estudantes que se evadiram do ambiente escolar, eram jovens com baixo poder aquisitivo. Isso demonstra que muitos adolescentes têm que trabalhar, não havendo portanto, a possibilidade de conciliar os emprego com estudo, uma vez que estes precisam ajudar a família financeiramente. Desta maneira, muitos estudantes abandonam os estudos para ingressar no mercado de trabalho. Contudo, o problema disso é que sem uma formação acadêmica, muitos desses indivíduos estão fadados aos subempregos, isto é, empregos não qualificados, informais, com má remuneração. Assim, apesar da evasão ser uma alternativa para estes jovens que precisam contribuir com a renda familiar, é algo que causará um efeito rebote a longo prazo, fazendo com que a pobreza se perpetue.
Entretanto, não há consequências apenas individuais, mas para a sociedade como um todo. Com o aumento da evasão escolar no Brasil, há um risco do país não ter pessoas qualificadas o suficiente para atuarem no mercado de trabalho, tornando o país dependente de mão de obra estrangeira, fenômeno conhecido como importação de cérebros. A abdicação dos estudos em nível fundamental e médio impede os indivíduos de ingressarem no ensino superior e consequentemente, se tornarem em mão de obra qualificada para o mercado brasileiro. Em virtude disso, o Estado brasileiro torna-se submisso a profissionais de outras nacionalidades para atuar no país. Exemplo disso é a Petrobras, que em 2014, contou com a mão de obra chinesa para manutenções em plataformas de petróleo no estado do Rio de Janeiro, pois não havia brasileiros especializados para realizar tais atividades.
Dessa forma, fica claro que a manutenção da pobreza e a falta de qualificação são consequências da evasão escolar e portanto, deve ser combatida. Para isso, o Governo Federal por meio do Ministério da Educação (MEC) poderia destinar parcela do Produto Interno Bruto para oferecer bolsa-auxílio para os estudantes de escola pública de baixa renda. Para isso, estes alunos devem ser cadastrados em programas sociais e atingir as notas médias estipuladas pelo MEC. Dessa maneira, jovens serão incentivados a estudar, e além de não evadirem na escola, poderão ajudar a família financeiramente.