Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 06/06/2020

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos direitos básicos, tais como: educação, lazer e bem-estar social. No entanto, o Brasil se afasta dessa realidade ao se analisar a evasão escolar e a realidade do país, na qual há a necessidade do estudante em auxiliar na renda familiar, em consonância com o precoce ingresso no mercado de trabalho, como os principais pilares desse conflito. Nesse sentido, subterfúgios devem ser encontrados para a resolução desse impasse cultural.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o dever do indivíduo de ajudar na renda da família é o principal potencializador desse problema. Nessa linha de pensamento, o sociólogo Karl Marx, em sua análise da sociedade pós Revolução Industrial, menciona que a ascensão do capitalismo intensifica a busca pelo capital, de modo a diminuir a importância dos direitos humanos. Dessa forma, os estudantes de classes baixas buscam meios para obterem dinheiro, visto que existe a necessidade de auxiliar na integridade socioeconômica da família, o que resulta em uma priorização do capital sobre a educação.     Paralelamente a esse cenário, surge o ingresso ao mercado de trabalho de forma precoce como consequência direta desse panorama. Nesse contexto, o site O Globo divulgou uma pesquisa realizada pelos alunos da Universidade Federal de Fluminense, na qual informa que cerca de 42% dos estudantes do ensino médio das escolas públicas informam que participam de trabalhos informais quando não estão no colégio. Sob essa análise, denota-se que, com a carga horária dos trabalhos, os estudantes optam por abandonar as escolas, uma vez que existe uma dificuldade em aliar os estudos com o trabalho.

Fica evidente, portanto, que a evasão escolar brasileira é produto de uma negligência com a educação por parte do Estado e deve ser solucionada. Desse modo, o Ministério da Educação e o Ministério da Fazenda - principais responsáveis pela infraestrutura educacional brasileira -, deve, por meio de um maior direcionamento de verbas para os âmbitos sociais, potencializar os programas de auxílio para os estudantes de colégios públicos, de modo a democratizar o acesso a educação de qualidade, a fim de diminuir a necessidade dos alunos em buscar outros meios para conseguir ajudar na renda familiar. Somente assim, com essas medidas, a sociedade poderá gozar dos direitos promulgados em 1948.