Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 18/06/2020

No ano de 2019, somente no Estado de Minas Gerais, houve uma redução em 10,2% de matrículas para o ensino médio. No Brasil, como um todo, a evasão escolar tem sido uma problemática eminente. A massa dos jovens deixa o estudo por questões socioeconômicas (trabalho, gravidez e violência), bem como por desinteresse em relação ao conteúdo, ou até mesmo a ideia de escolarização e a dificuldade em acompanhar as matérias, que são acumuladas em imensa defasagem.

Em primeiro lugar, é preciso pontuar o altíssimo número de alunos que não concluem a escola. Segundo dados da Agência Brasil, 1,3 milhões de jovens de quinze a dezessete anos evadiram, sendo que 52% não concluiu o ensino fundamental. Ainda, cerca de 212 mil moças abandonaram os estudos por conta da gravidez; apenas dois por cento deu continuidade a escolarização. Para mais, um garoto de onze anos foi atingido por cinco tiros dentro de sua própria casa, por policiais, de acordo com entrevista no Profissão Repórter. Posto isso, é possível constatar que as questões socioeconômicas são bastante desfavoráveis para o grupo em questão, ainda mais em regiões carentes; a violência e a gravidez precoce são motivos que se destacam.

Ademais, a necessidade de ter um trabalho para sustentar a casa é uma realidade. Conforme a revista O Tempo, Vitor Soares (18 anos) estava prestes a concluir o ensino médio, mas teve que largar para ganhar mais dinheiro. Por outro lado, muitos abandonam os estudos por desinteresse. Em uma matéria do Profissão Repórter jovens como João Gabriel, Ana Orta e Adriele de Oliveira afirmaram não frequentar a escola por não ser interessante ou por não conseguirem acompanhar o conteúdo, pelo acumulo de matérias em defasagem que carregam há anos. Tais dados constatam que, de fato, a estrutura de ensino no Brasil não tem cooperado para a permanência do aluno em sala de aula, sem sucesso em fazer com que ele perceba a necessidade do estudo para a vida.

Destarte, para que os índices de evasão escolar decresçam, o Ministério da Educação (MEC) deve desenvolver um projeto que vise a propor uma análise atualizada do contexto da escola brasileira, pontuando as problemáticas socioeconômicas para encontrar soluções. O projeto deve levar em conta a estrutura curricular, a didática, o período na escola - haja vista que muitos precisam trabalhar - e a segurança dos jovens, com foco para lugares mais atingidos. Isso, por meio de pedagogos, psicopedagogos, professores e os demais profissionais da educação, compartilhando o planejamento pelos meios de comunicação e nas escolas, em reuniões. Ainda, deve haver um acordo entre o MEC e a polícia, para que as injustiças e mortes acidentais tenham o devido fim. Desse modo, a ordem será re-estabelecida na educação, e o progresso será viável.