Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 17/07/2020
Durante a Segunda Guerra Mundial, o autor inglês, George Orwell publicou a obra “A Revolução dos Bichos” que repudiava as mazelas políticas e sociais daquele período. Na contemporaneidade, é relevante recuperar estes princípios, uma vez que a evasão escolar persiste atrelada à realidade do país, seja pela inserção precoce no mercado de trabalho, seja pelo alto índice de gravidez na adolescência. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias nesse âmbito de modo a assegurar a educação básica a todos.
A princípio, vale destacar que a Constituição Federal de 1988 garante direitos igualitários a todos os cidadãos. Entretanto, o que se observa é a violação destes, haja vista que muitos jovens são obrigados a trabalhar desde muito novos para contribuírem com a renda familiar, o que torna impossível a frequência dos mesmos no ambiente escolar. Além disso, muitas são as consequências geradas quando a vida acadêmica é interrompida, dentre elas a falta de qualificação profissional, dificuldade em conseguir cargos de maior rentabilidade, no futuro, e consequentemente, a perpetuação dos cenários de pobreza, tendo em vista que a baixa condição financeira está diretamente ligada a maioria dos casos de evasão escolar.
Ademais, é imprescindível salientar que a gravidez na adolescência torna ainda mais árdua a tarefa de combate à evasão escolar, dado que, por muitas vezes, não poderem contar com o apoio das instituições de ensino nem da família, muitas jovens se veem obrigadas a abandonar a escola para cuidar da criança, integralmente. Além de tudo, o preconceito e a exclusão social em que essas adolescentes são submetidas, corrobora para a desmotivação das mesmas em prosseguir com os estudos e com a vida acadêmica. Deste modo, tal problemática pode ser ilustrada pela série Gilmore Girls, em que a personagem Lorelai Gilmore, por não poder contar com uma rede de apoio, é obrigada a largar os estudos para arrumar um emprego e cuidar da filha.
Em razão dos fatos mencionados, cabe ao Governo Federal em parceria com a iniciativa privada promover, por meio do aumento de vagas e facilitação do acesso ao programa de Jovens Aprendizes, uma integração que permita o jovem a estudar e trabalhar ao mesmo tempo, evitando, assim, o abandono da escola. Além do mais, cabe às instituições de ensino apoiarem e acolherem as adolescentes grávidas, mediante ao oferecimento de apoio psicológico e atendendo as necessidades gestacionais das mesmas, para que, dessa forma, seja possível garantir que mais jovens tenham acesso a uma educação inclusiva que seja ferramenta para a construção de um futura para a sociedade.