Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 18/06/2020
A Constituição Federal brasileira garante, no artigo sexto, uma série de direitos sociais. Dentre eles, está o acesso à educação, juntamente com todos os elementos que o permeiam. No entanto, apesar de tal garantia, o que se percebe é a não aplicação desse dispositivo constitucional na prática, visto que a evasão escolar no Brasil ainda é uma triste realidade. Nesse preocupante cenário, é preciso analisar o problema por um viés político e por uma perspectiva social, a fim de propor intervenções.
Antes de tudo, é evidente que o descaso governamental é determinante para a continuidade da problemática. Como explicou Maquiavel, ainda no renascimento, o principal objetivo dos chefes de Estado é manter-se no poder. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que, apesar do preocupante número de jovens fora da escola ter sofrido um aumento no ano passado, não há um esforço contundente, por parte do Poder Público, de reverter essa situação. Isso ocorre porque investir no combate à evasão escolar não acarreta em benefícios eleitoreiros claros, uma vez que não provoca resultados a curto prazo. O diagnóstico maquiaveliano, assim, continua atual: para permanecer no poder, tudo é válido, mesmo que contrarie o bem estar da população.
Além disso, o papel da sociedade é outro agravante nesse cenário. Segundo o cientista francês, Emile Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade, que é capaz de influenciar o indivíduo. De maneira análoga, percebe-se que, no Brasil, a desvalorização da educação se enquadra na teoria do sociólogo, haja vista que se um adolescente cresce em uma das milhares de famílias brasileiras que, por não frequentarem integralmente uma escola, adotam falas que diminuem a importância da educação, esse jovem tende a também não valorizar as instituições de ensino podendo, inclusive, abandonar o colégio. A lógica Durkheminiana, assim, mostra-se verdadeira: o fortalecimento do pensar corrompido é passado de geração em geração, o que agrava ainda mais o problema.
Torna-se evidente, portanto, que o problema é grave e não pode ser ignorado. Para mudar esse quadro, além de a Mídia propagar os benefícios de se frequentar a escola com o objetivo de alterar a visão da sociedade acerca da mesma, a população deve cobrar ações dos governantes, por meio de campanhas online. Isso pode ocorrer, por exemplo, com a criação de grupos nas redes sociais que denunciem políticos que não agem em prol do combate à evasão escolar, a fim de que cada vez menos jovens abandonem as instituições de ensino. Com essas medidas, que não excluem outras, espera-se que o artigo sexto da Constituição Federal seja cumprido em sua plenitude.