Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 22/06/2020

“A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida.” A máxima, apresentada pelo filósofo John Dewey, expressa a essencialidade da educação que vem sendo colocada em segundo plano por milhares de jovens brasileiros com a problemática da evasão escolar- seja por questões econômicas, seja por metodologia de ensino pouco atraente. Diante desse cenário, urge um maior empenho do Poder Público e das famílias, com o fito de superar desafios para efetiva permanência desses indivíduos no sistema educacional.

Em primeiro plano, é cabível salientar que, segundo dados do Instituto de Geografia e Estatística cerca de 1,3 milhão de jovens deixaram a escola sem concluir os estudos, dos quais 52% não concluíram sequer o ensino fundamental. Tal panorama está diretamente relacionado com as crises econômicas que assolam a nação, pois elas colaboram para o abandono dos estudos pelos jovens, em virtude de ajudar no sustento da família, principalmente aqueles em maior vulnerabilidade social e, conseqüentemente, com a baixa escolaridade, contribui para perpetuação da pobreza. Isso atesta a ineficiência governamental em cumprir prerrogativas legais como a Constituição de 1988 e o Estatuto da Criança e Adolescente,  que garantem a efetiva educação integral à população.

Ademais, a precariedade de estruturas e mecanismos de aprendizagem insuficientes para despertar o interesse do aluno, são aspectos impulsionadores da evasão escolar. Nessa perspectiva, a especialista  Silvana Tamassia, afirma que “muitas vezes os alunos deixam de frequentar a escola porque a aula não está atendendo às suas expectativas. Isso quer dizer que a escola não está conseguindo conquistar o aluno e mostrar a ele o valor daquele aprendizado para a vida dele”. Nesse sentido, é evidente que há uma falha no sistema educacional e a necessidade de efetuar mudanças no modelo atual de ensino  que estimule a desenvolver o potencial dos estudantes e habilidades fora da cartilha tradicional.

Portanto, a fim de garantir a ininterrupção da formação educacional dos jovens brasileiros, cabe ao Estado, mediante ao redirecionamento de verbas, realizar ações para promover grande adesão dos alunos, com o oferecimento de cursos gratuitos que capacitem os estudantes para o mercado de trabalho, além de elaborar oficinas sobre diversos temas propostos por eles, com o objetivo de engajá-los em projetos que possa criar laços permanentes com o meio escolar. Cabe ainda, investir na especialização dos docentes para melhorar qualidade do ensino e atender as diferentes demandas. Outrossim, o poder público deve estabelecer condições satisfatórias de vida e renda às famílias para assegurar que crianças e adolescentes frequentem as aulas, como é previsto por lei. Dessa forma, a evasão escolar não será realidade no país.