Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 24/06/2020

A história de Marie Curie, importante cientista das áreas da química e da física, é marcada por diversos empecilhos no decorrer de seus estudos, pois além da repressão russa sofrida em sua infância, Marie nasceu em uma época na qual havia muitos obstáculos para que mulheres pudessem estudar. Atualmente, na realidade brasileira, muitos jovens também têm entraves no decorrer de seus estudos - sendo que muitos acabam não concluindo a formação básica. Entretanto, no caso brasileiro, as motivações envolvem vulnerabilidades socioeconômicas e acarretam perpetuação da pobreza, bem como alienação das massas menos escolarizadas.

De início, cabe elucidar acerca da pobreza no Brasil, crônica e abrangente, a qual afoga oportunidades de desenvolvimento acadêmico. Assim, de acordo com o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - cerca de 50 milhões de brasileiros vivem em estado de pobreza. Ainda de acordo com tal órgão, em consonância com o Ministério da Educação, os jovens de baixa renda são os mais afetados pelo fenômeno da evasão escolar, visto que necessitam trabalhar para complementar a renda familiar, o que dificulta os estudos. Ademais, a gravidez na adolescência, processo que também propicia a desistência escolar, ocorre, na maioria das vezes nas famílias carentes e periféricas. Desse modo, a questão financeira mostra-se ainda mais relevante no contexto da evasão escolar.

Como consequência de tal problema, obtém-se continuidade da configuração econômica desigual do país, assim como inconsciência coletiva perante os fenômenos sociais. Nessa conjuntura, é cabível a ideia de alienação das massas operárias, proposta por Karl Marx, pois, quanto menos conhecimento um indivíduo detém, menos senso crítico ele constrói e, assim, torna-se mais vulnerável a manipulações. Além disso, de acordo com o pensamento de Imannuel Kant, de que o indivíduo nada mais é do que o que a educação fez dele, torna-se perceptível que a educação insuficiente determina os jovens a subempregos, e, consequentemente, à insuficiência econômica. Dessa maneira, a deficiência educativa sentencia os indivíduos afetados a condições socioeconômicas precárias.

É perceptível, portanto, que a evasão escolar é um grave obstáculo para a plenitude da educação brasileira, necessitando, assim ser mitigada por medidas governamentais. Assim, o Ministério da Educação, por meio de maior parcela do PIB - Produto Interno Bruto - do país, pode ofertar bolsas de estudo aos jovens de baixa renda, a fim de garantir a frequência deles no Ensino Médio, além de oferecer mais bolsas dentro do ProUni - Programa Universidade Para Todos - com o fito de garantir a continuidade de tais indivíduos também no Ensino Superior. A partir disso, é possível amenizar massivamente a evasão escolar, bem como os problemas que a seguem.