Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 08/07/2020

O artigo 205 da Constituição de 1988 define que a promoção da educação é, teoricamente, dever do Estado e da família e direito de todos. Contudo, é notável que o Brasil atual presencia uma lamentável crise no sistema educacional, o que converge no alastramento do fenômeno da “evasão escolar”. Nesse sentido, é perceptível a difusão das práticas de “abandono” dos colégios pelos jovens, “fruto” da dantesca negligência governamental e da danosa decadência das instituições sociais na “pós-modernidade”. Assim, é imprescindível o combate a tais aspectos para a aplicação da garantia legislativa citada.

Nesse viés, é importante destacar o papel da influência do Estado para o advento do processo citado. Nessa perspectiva, é visível que os baixos investimentos, junto ao modelo educacional marcado pela passividade, tornam o ambiente escolar “pouco atrativo” e ineficiente – o que motiva a evasão escolar. Tal conjuntura é explicitada no documentário brasileiro “Pro Dia Nascer Feliz”, o qual destaca – comparativamente – as diferenças entre as estruturas de ensino público e privado. Desse modo, a produção audiovisual revela os impactos da negligência governamental no sistema citado – entre os quais se encontra o “abandono” dos estudos. Com isso, torna-se evidente o caráter malévolo da “rasa” preocupação estatal no setor.

Além disso, é necessário ressaltar a contribuição da decadência da instituição familiar na intensificação do fenômeno descrito. Nessa percepção, segundo o filósofo francês, Gilles Lipovetsky, é característica do mundo “pós-moderno” a falência das estruturas sociais tradicionais – entre as quais se encaixa a família. Por isso, ao se observar a desvalorização da organização presente no artigo constitucional apresentado, faz-se notória a influência desse aspecto nas práticas de evasão escolar. Dessa forma, fica explícita a imprescindibilidade do combate a esse contexto para a manutenção da garantia solicitada na “carta magna” nacional.

Portanto, as ações de abandono colegial no Brasil são “fruto” da inobservância estatal e da desvalorização familiar – fenômeno que “confronta” a Constituição Federal e precisa ser combatido. Nessa diretriz, é fundamental a participação do Ministério da Família, em conjunto às escolas públicas e privadas, por meio de medidas socioeducativas nos educandários. Tais ações acontecerão com palestras semanais acerca da importância de uma formação educacional íntegra e consistente. Isso deverá ser promovido pela discussão entre pedagogos especializados e alunos de todas as turmas, de modo a evitar a passividade, o desgaste e a evasão. Dessa maneira, a educação será mantida e o dever constitucional será corretamente aplicado.