Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 09/07/2020

“A sociedade que esquece a arte de questionar não pode esperar encontrar respostas para os problemas que a afligem”. A frase do sociólogo Zygmunt Bauman – autor de “Modernidade Líquida” -, sugere o principal entrave para a superação dos problemas sociais: a passividade dos cidadãos. Nesse sentido, não é razoável que a evasão escolar seja tratada com negligência pelos brasileiros, o que vai de encontro ao pensamento previsto por Bauman. Com efeito, um diálogo entre sociedade e estado sobre o abandono da vida educacional é medida que se impõe.

Em primeiro plano, vale salientar que, infelizmente, a evasão escolar é realidade no Brasil. Em dados publicados, no ano de 2018, pela revista “Isto é”, afirma-se que 52% dos brasileiros entre 19 e 25 anos deixaram de estudar, não se dedicam a escola ou estão atrasados na formação. Nesse sentido, é visível que a escolaridade não é – ou deixou de ser - prioridade na vida da população verde amarela. Contudo, não é cabível que esse problema ainda persista no século XXI, haja vista a importância da educação como meio de formação psicossocial dos indivíduos.

De outra parte, é necessário ressaltar que a perda de jovens das escolas acarreta não só danos pessoais, como também coletivos. Priscila Cruz, fundadora e presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação, diz que o desenvolvimento do Brasil decorre do desenvolvimento de seus cidadãos. Por conseguinte, não somente o indivíduo sofre com isso, seja na privação de conhecimento, seja na falta de oportunidades, seja em menores salários, mas também o país, que tem seu Produto Interno Bruto (PIB) diminuído, logo, uma maior desigualdade de renda.

Urge, portanto, que a população e estado cooperem para combater a evasão escolar no Brasil. Cabe ao Ministério da Educação fiscalizar e investir mais na educação pública no país, por meio de contratação de assistentes sociais, maior disponibilidade de vagas nas escolas e palestras educacionais, com o intuito de haver maior interação entre família e escola, além de maior oportunidade de ingresso no ensino e também uma maior conscientização da importância da permanência escolar. Dessa forma, o país poderá alcançar, de fato, a médio/longo prazo, uma sociedade mais igualitária de direitos.