Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 14/07/2020

De acordo com filósofo Immanuel Kant, “O homem é aquilo que a educação faz dele”, logo, os aprendizados escolares tem papel fundamental na formação do ser humano, tanto como indivíduo quanto como membro da sociedade, pois suas ações e princípios nela serão orientados de acordo com seus aprendizados educacionais. No entanto, na realidade brasileira, muitos jovens, principalmente, acabam abandonando os estudos.  Diante disso, cabe avaliar os fatores que influenciam nesta evasão escolar, entre eles: a renda familiar e a falta de interesse por parte dos educandos pelos estudos.

Primeiramente, é necessário entender que um dos fatores que facilitam a saída dos jovens do ambiente escolar é a renda familiar. Segundo dados divulgados pelo IBGE, em 2019, a evasão escolar é oito vezes maior nas famílias mais pobres, comparado com a porcentagem em famílias mais ricas. Isso acontece porque, em muitos casos, os estudantes passam a ter que se preocupar e ajudar na renda da família, trocando os estudos pelo trabalho. Além disso, muitas vezes, devido a essa falta de escolaridade, o trabalho se torna precário e desvalorizado, não garantindo um futuro promissor para o indivíduo.

Além disso, a falta de disposição em ir estudar, devido ao método de ensino usado, também contribui para a desistência do aprendizado. Conforme o pensamento do educador brasileiro Paulo Freire, as escolas utilizam a educação chamada bancária, em que se enxerga como único detentor do saber o professor. Porém, para ele, o ensino deveria ser algo diferente, libertador, e não algo massivo, repetitivo e dominante. Essas características contribuem largamente para que os educandos não se sintam atraídos a aprender algo novo e acabem não concluindo os anos exigidos de estudo.

Portanto, para que evasão escolar deixe de ser uma realidade, é imprescindível que medidas públicas sejam tomadas. Para isso, o Ministério da Educação deve elaborar um projeto que vise dar maior atenção às famílias de baixa renda, através de uma ajuda financeira e visitas de profissionais educadores nestas famílias para entender a realidade destas pessoas. Além disso, deve-se elaborar uma campanha em que serão discutidas nas escolas públicas os principais pontos no ensino que levam os alunos ao desinteresse, através de debates entre educadores e educandos. Os aspectos encontrados deverão ser estudados por profissionais, que posteriormente elaborarão um novo plano de aprendizagem e transmissão do conhecimento para os educandos. Assim aprender não será algo sofrido e sim interessante, e a educação poderá continuar transformando o maior números de cidadãos para o futuro, como defendido por Kant.