Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 16/07/2020

A Constituição de 1988, estabeleceu diversas medidas sociais, dentre elas, direito a educação à todos os brasileiros. Nessa perspectiva, percebe-se que o Governo não efetiva tal princípio, uma vez que as escolas de rede pública são precárias e, sobretudo, não apresentam ensino de qualidade, na qual favorece o recrudescimento da evasão escolar. Ora, mostra-se com um imagem de urgência educacional e, por tabela, o comportamento apático do âmbito político.

Essa postura negligente se dá, em especial, no papel do Estado com essa área. Na ótica da escritora Lya Luft, em seu texto “Alegres e Ignorantes”, postulou, “Mas, se somos desinformados, somos vulneráveis”. Partindo dessa lógica, quando o Poder Público não enxerga a educação com prioridade, gesta-se uma geração de embrutecidos, relegados ao limbo da desinformação, e não menos perigoso, a vulnerabilidade social como a marginalização e o atraso escolar, fato justificado pela pesquisa Insper/fundação Roberto Marinho, que apontou 575 mil jovens não concluíram a educação básica no Brasil. Logo, se a formação não sensibiliza os Governos, o subdesenvolvimento apadrinha o futuro.

Atrela-se ao exposto, o comportamento tímido do olhar coletivo nessa temática. De acordo com Platão, “A parte que ignoramos é muito maior que tudo quando sabemos”. Sob esse viés, quando imagens de crianças e jovens trabalhando e, por extensão, aumento no número de analfabetos se tornam comuns, é indicativo para se exigir uma ação mais urgente da sociedade, uma vez que a “parte ignorada” em prol de discursos econômicos, literalmente, constitui mais significativa para permanência da sabedoria como um todo, na qual o índice da evasão escolar  corresponde a 3% do PIB nacional anual de acordo com O Globo. Nesse sentindo, a coletividade deve reivindicar um olhar mais atento a essa causa, com o fito de haver melhorias.

Infere-se, portanto, que nessa problemática o Poder Público deve abdicar do papel de inércia, por meio de investimentos e pesquisas em escolas de qualidades, aulas mais dinâmicas e, por tabela, de bibliotecas públicas eficazes, com a finalidade de haver indivíduos mais letrados, culturais e diminuir a taxa de fuga escolar. Ademais, a sociedade precisa ampliar a discussão acerca dessa temática, por intermédio de palestras, documentários educativos inseridos nessa causa e, por extensão, uma maior mobilização, com o intuito de fomentar a consciência coletiva. Assim, para que a função da Constituição seja eficiente e, sobretudo, para que o país torna-se um exemplo nesse âmbito.