Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 16/07/2020
Desde o movimento intelectual que surgiu na Europa durante o século XVIII, o Iluminismo, que pregava a disseminação dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, entende-se que uma sociedade só progride quando um se comove com o problema do outro. Entretanto, ao observar a questão da evasão escolar, percebe-se que o ideal de igualdade é contestado. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência governamental e a omissão das escolas colaboram para esse quadro.
Mormente, a inobservância do Governo é o principal fator responsável para a permanência da problemática. Tal fato ocorre porque as autoridades não se preocupam em investir na educação dos estudantes, seja na construção de escolas nas comunidades mais carentes, seja na distribuição de transporte escolar, uma vez que, muitos estudantes desistem das escolas pela distância dessas instituições de suas resistências. Sob esse viés, de acordo com o economista Sir Arthur Lewis, ‘‘Educação nunca despesa, sempre foi investimento com retorno garantido.’’ Contudo, nessa perspectiva, ao analisar os motivos da evasão escolar no Brasil, nota-se que a falta de transporte em consonância com a distância das escolas para algumas famílias, percebe-se que ambos fatores fazem parte da realidade dos brasileiros para que muitos jovens saiam precocemente das instituições.
Outrossim, a ausência das escolas na formação dos estudantes é outro fator primordial para a temática. Essa situação se deve porque os docentes apenas se preocupam em ensinar aos estudantes conteúdos cobrados em provas. Segundo Kant, ‘‘O homem é aquilo que a educação faz dele.’’ Assim, não há, principalmente nas escolas públicas, o interesse, por parte dos professores, em promover projetos educacionais que incentive os estudantes a interagirem e expressarem suas opiniões sobre determinado tema. Logo, por consequência, o ambiente escolar torna-se um local em que os estudantes apenas aprendem aquilo que necessitam para realizar provas, sendo assim, os estudantes optam, não só pela necessidade, como também pela falta de interesse, em deixar a escola para ingressar no mercado de trabalho.
Dessa maneira, medidas são necessárias para resolver o impasse. Portanto, o Governo Federal, como instância máxima da administração executiva, em parceria com os Municípios, deve, por meio da construção de mais escolas no território nacional e da distribuição de transporte escolar de qualidade, possibilitar o acesso de todos os cidadãos a educação, a fim de cumprir com o ideal de Iluminista de igualdade. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve elaborar um projeto educacional por meio de palestras, jogos e gincanas que promova a interação entre os alunos e possibilite a liberdade de expressão dos estudantes, com o viés de incentivar os jovens a irem à escola.