Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 20/07/2020
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225, assegura que é dever do Estado e da família garantir o direito à educação para todos. De acordo com essa norma, crianças, adolescentes e jovens devem frequentar a escola assiduamente para se qualificar e contribuir socialmente. Entretanto, a prática é totalmente distinta da teoria e a evasão escolar é uma realidade no Brasil. Sendo assim, para que haja mudanças, é fundamental discorrer as causas histórico-sociais e estatais que contribuem para a retirada desses indivíduos das instituições de ensino.
Nesse contexto, deve-se destacar a perpetuação de obstáculos históricos na sociedade. Embora a abolição da escravidão no Brasil tenha sido sancionada em 1888, há atualmente a persistência das sequelas da desigualdade social. Dessa forma, isso se evidencia quando ao analisar os percentuais de pessoas que evadem da escola, a maioria são negros periféricos que precisam optar pelo trabalho para ajudar na renda familiar. Como substrato disso, tem-se a inserção precoce e instável no mercado de trabalho, o que gera um alto número de empregos informais, que é ponto negativo para seu desenvolvimento como cidadão, como também para o país que perde economicamente. Logo, é a prática da enraizada ancestralidade escravocrata.
Ademais, outro condutor dessa mazela é a ausência de ações estatais efetivas. De acordo com o “Profissão Repórter” – programa televisivo informacional – 20% dos alunos deixam as instituições de ensino público por desmotivação. Com isso, constatou-se ausência de cumprimento regular de horários de aulas, insegurança, infraestrutura precária, falta de adaptação para pessoas com necessidades especiais e sobretudo, a forma retrógrada de lecionar conteúdos. Dessa forma, percebe-se que não há o investimento necessário para tornar a escola um ambiente atrativo, que diante das revoluções tecnológicas e sociais, não se adequou para o pleno atendimento das novas gerações.
Depreende-se, portanto, que para não haver o descumprimento desse direito crucial, é necessário haver algumas medidas. Para isso, a família, instituição social primária e responsável por repassar princípios morais, deve trabalhar o ensino e a prática da igualdade social, por meio de conversas e debates entre pais e filhos, para que haja a ruptura dessa cultura da ancestralidade escravocrata que impera na sociedade brasileira. Por sua vez, o Ministério da Educação deve investir na adaptação e na inovação do ensino, por intermédio da acessibilidade e da inclusão da tecnologia como aliada no processo educacional, além de capacitar professores para essas novidades, a fim de que haja motivação e capacitação plena para os indivíduos que são o futuro do país.