Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 23/07/2020

A Constituição brasileira de 1988 assegura a educação como um direito de todos. No entanto, na prática, tal garantia é deturpada, visto que o contato com o ensino escolar não se encontra efetivado para todos na atual realidade brasileira. Esse cenário nocivo ocorre não só pela desigualdade socioeconômica, o que exige a inserção precoce de jovens em idade escolar no mercado de trabalho,  mas também  pela inércia estatal frente ao problema.

Em primeira análise, destaca-se que o Brasil, infelizmente, é uma nação afligida pela extrema pobreza, segundo dados do IBGE, 13 milhões de brasileiros se encontram nessa condição. Por conseguinte, torna-se evidente as consequências disso à educação, pois, jovens de classe baixa, muitas vezes, precisam abandonar a escola para trabalhar, a fim de garantir condições básicas de vida às suas famílias. Nesse sentido, cabe salientar que tal cenário afronta diretamente a Declaração Universal de Direitos Humanos, o que é inaceitável em um país democrático de direito.

Paralelamente, é notório o descaso do Estado frente a tal problemática. Embora o economista britânico, Arthur Lewis, afirme que a educação jamais represente uma despesa, mas um investimento com retorno garantido, o governo federal parece desconhecer tal fato. Sob esse víeis, por intermédio da ausência de ações efetivas para combater tanto a desigualdade socioeconômica, que contribui para o abandono precoce da escola, quanto a falta de investimentos na educação, torna-se evidente que a omissão estatal corrobora para a perpetuação da evasão escolar.

Frente a tal realidade, urge, portanto, que ações sejam tomadas para a solucionar este desafio. Desse modo, cabe ao governo brasileiro fornecer incentivos para a permanência escolar, por meio de programas de auxílio financeiro para estudantes de classe baixa, isso deve ser feito durante todo o processo de educação, desde o ensino fundamental a conclusão do ensino médio, a fim de manter jovens em idade escolar, principalmente os de baixa renda, fora do mercado de trabalho e dentro das escolas. Feito isso, será possível a efetivação dos elementos assegurados na Magna Carta, dessa maneira, garantido a educação à todos.