Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 28/07/2020

O escritor simbolista Cruz e Souza foi um filho de escravo- de baixo poder financeiro- que teve acesso à educação através do financiamento de aristocratas da época. Com isso, ele pôde permanecer na universidade e adquirir capacitação profissional. Contudo, o histórico brasileiro revela a persistência da evasão de cidadãos de todas as idades do ambiente escolar- evidência de que a conquista de Cruz e Souza representa um feito bastante raro para pessoas de classes pobres.Portanto, é imprescindível observar que a má distribuição de renda e a baixa disponibilidade de assistência social são os principais entraves para a formação educacional ser consolidada por mais pessoas.

Primeiramente, é importante destacar que a maior parcela da população não dispõe de recursos financeiros suficientes para arcar com as despesas da rotina estudantil, como transporte e alimentação. Como prova disso, é válido citar a matéria que o portal G1 de notícias divulgou, em 2020, informando que o Brasil está entre os 15 países com pior classificação no índice de gini- estatística que expõe a distribuição de renda na nação. Logo, é possível afirmar que: enquanto as politicas de homogenização do capital forem ineficazes, as classes inferiores à média enfrentarão obstáculos para arcar com os custos da vida acadêmica e, inevitavelmente, abandonarão os estudos.

Ademais, é lícito discutir que a assistência constante ao estudante é indispensável para evitar que

problemas sociais- como a associação ao crime e a gravidez precoce- impeçam os acadêmicos de concluir o respectivo curso. Para isso, a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 garante à todos cidadão acesso à saúde, segurança e educação. Dessa forma, as escolas que não monitoram ou aconselham os alunos não só descumprem a lei mas também intensificam a evasão escolar.

Destarte, é licito concluir que, para evitar a desistência da carreira educacional, a execução de medidas para superar as barreiras financeiras e sociais é imperativa. Para tal, urge que o Ministério da Cidadania, em parceria com universidades públicas e privadas, desenvolva um programa de assistência contínua, que identifique as necessidades financeiras dos estudantes e analise o cenário social que esses estão inseridos, através de concursos se seleção socioeconômica, a fim de garantir a permanência escolar e ampliar a educação, apesar dos limites financeiros e morais. Assim, será possível que a escolarização de minorias, como a de Cruz e Souza, não se resuma a fatos atípicos na história.