Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 28/07/2020

No filme “A sociedade dos Poetas Mortos”, o professor John Keating explora um modelo de ensino nada tradicional, pois para ele as disciplinas de filosofia, de arte e de história são essenciais para formação do ser humano na sociedade, elas geram seres críticos e com uma visão desconstruída do mundo. Para além dos limites ficcionais, a realidade apresentada na educação brasileira é oposta, visto que os números de evasão escolar entre os jovens são altos. Isto ocorre pelo ensino desmotivador e convencional, como também pela necessidade de se incluir rapidamente no mercado de trabalho.

A princípio, é essencial salientar que as escolas são vistas como apenas mais uma obrigação para os jovens. Tal cenário é fruto de uma herança histórica que faz o aprendizado ser algo rotineiro e nada inspirador, baseado apenas em tirar a nota necessária para passar. A partir de tal visão, o sociólogo Emile Durkheim disserta sobre o conceito de fato social, que são ações que o indivíduo precisa cumprir sem sua vontade, apenas uma regra da sociedade. Dessa maneira, o sistema de ensino desses indivíduos que saíram do colégio era apenas uma força exterior, pois eles não iram usar a longo prazo muitos ensinamentos da escola. Por isso, é preciso mudar a educação para que ela sirva de inspiração, assim como John Keating fez.

Ademais, é importante perceber que a situação econômica influência na desistência escolar. Isso acontece porque estudar é um privilégio para muitas famílias, isto é, o trabalho que serve para completar a renda familiar se torna mais importante do que os estudos, ocasionando no abandono escolar para a inserção precoce no mundo trabalhista. Sob tal ótica, dados de 2017 do IBGE afirma que 11,8% das pessoas entre 15 e 17 anos estão fora do colégio e a maioria explica que não conseguia conciliar trabalho e estudo, então, foi preciso escolher. Dessa forma, a desigualdade social acarreta na permanência ou não da população na escola.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para combater a evasão no âmbito escolar no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação deve promover e incentivar a ida ao colégio, por meio de bolsas de estudos para quem cursa além das disciplinas obrigatórias, como, por exemplo atletismo, lutas, música, arte, em que sejam dados benefícios como dinheiro, vale-refeição, vale-transporte, a fim de que os jovens explorem outras formas de aprendizado e passem a ver a escola como um lugar que ele pode se conhecer e se descobrir como indivíduo de uma sociedade. Somente assim, eles irão se sentir entusiasmados no colégio.