Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 31/07/2020

O renomado economista britânico Arthur Lewis afirmou que a educação jamais foi despesa, mas sim investimento com retorno garantido. Nessa lógica, a educação nacional deve ser vista com a principal ferramenta de transformação social. Entretanto, no Brasil, alguns imbróglios interferem na vida dos estudantes e no processo de aprendizagem, fatores que corroboram com o fenômeno denominado evasão escolar. Dessarte, é imprescindível destacar como propulsores da problemática, a desigualdade socioeconômica e a falta de alicerce ofertada pelo Estado para com os estudantes brasileiros.

A priori, o sistema tributário brasileiro pode ser considerado uma máquina de desigualdade social, pois faz com que pessoas com contrastes salariais altíssimos sejam submetidos às mesmas regras de contribuição. Além disso, a população com renda mais baixa recebe menos retorno pelo imposto pago. Exemplo disso é o sistema de educação, pois enquanto os mais pobres estão pagando para manter as instituições superiores na mesma proporção dos com renda mais elevada, eles são os que têm menos probabilidade de ingressar nessa modalidade de ensino (apenas 2% de probabilidade), de acordo com dados do Ministério da Educação (MEC). Por conseguinte, o Estado contribui para a desigualdade socioeconômica que dificulta a qualidade de vida e o desenvolvimento dos alunos no âmbito acadêmico.

Ademais, o Estado brasileiro, além de não fornecer um ensino de qualidade, não adota medidas objetivando incentivar a permanência dos alunos nas escolas. Nessa concepção, dados ,como a nota brasileira no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) que constam que o Brasil apresenta péssimos resultados na classificação internacional valida a afirmativa. Para mais, a violência e a péssima mobilidade urbana é outro fator que interfere evasão escolar, de acordo com informações do MEC. Destarte, o Governo nacional é o principal responsável pelos índices altos de evasão escolar devido a ineficácia da administração que exerce.

Depreende-se, portanto, que deve haver engajamento dos representantes políticos para reverter a problemática e fazer com que os estudantes prossigam nas instituições de ensino. Para isso, o Poder Executivo deve, mediante investimento em segurança e infraestrutura, proporcionar boa qualidade de vida aos estudante, como garantir a segurança, transporte de qualidade e facilidade de acesso às escolas, para, dessa forma, incentivar a frequência dos alunos nas escolas. Além disso, as famílias mais pobres devem receber suporte do Estado, como bolsas de auxílio financeiro para custear despesas básicas que interferem no processo de aprendizado dos alunos, como alimentação, transporte e materiais didático, com o objetivo de investir e garantir o futuro educacional do aluno.