Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 04/08/2020

A recente realização da reforma do ensino médio, se desdobrou na BNCC, Base Nacional Comum Curricular , trouxe a tona a discussão sobre as estratégias para se enfrentar um dos principais problemas escolares brasileiros: a evasão. Entretanto, mesmo com o debate, esse grave problema ainda é presente na realidade, causado, principalmente, pelo desinteresse dos alunos e pela desigualdade de oportunidades. Nesse contexto, cabe analisar essas causas e suas consequências.

Em uma primeira análise, é válido destacar que o desinteresse dos estudantes é um grande fator problemático. Segundo Paulo Freire, educador e sociólogo, em seu livro “Pedagogia da Autonomia”, a educação brasileira é historicamente conteudista, na qual têm-se ênfase na teoria mas não na autonomia, além de retratar a “Educação Libertadora” como positiva. Sob esse viés, a metodologia escolar está intimamente ligada a evasão escolar, uma vez que apenas conteúdo gera desinteresse nos alunos, pois além de ser uma aula monótoma, não estimula a troca de conhecimentos entre o professor e o estudante. Desse modo, a realidade difere-se de uma educação embasada na liberdade, citada por Freire, que o pedagogo e o jovem aprendem juntos, com didáticas assimiladas às necessidades do cotidiano e a real vida dos adolescentes.

Outrossim, a desigualdade de oportunidades também corrobora para a situação problema. De acordo com pesquisa divulgada pela Fundação Getúlio Vargas, 33% dos jovens que deixam o ambiente escolar têm seus motivos na necessidade de ingressar no mercado de trabalho. Logo, a principal causa dessa necessidade encontra-se na obrigação de contribuir financeiramente nas despesas familiares. Sob essa ótica, vê-se a negligência do Estado nessa situação, uma vez que não oferece vagas de empregos de meio turno para os jovens que necessitam trabalhar e estudar ao mesmo tempo e, assim, os números de abandonos precoce das estruturas escolares crescem.

Em síntese, a evasão escolar precisa de uma intervenção. Portanto, a fim de aumentar o interesse dos alunos à educação, cabe ao Ministério da Educação promover uma reformulação dos currículos escolares, por meio da contratação de profissionais embasados na ideia de ensino libertador de Freire, buscando proximidade entre conteúdo e autonomia. Ademais, cabe ao Governo criar companhas que busquem ajudar na carência financeira dos adolescentes necessitados, por meio de vagas de empregos de meio turno. Dessa maneira, os jovens verão a escola como uma boa oportunidade de conhecimento e não uma obrigação.