Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 08/08/2020

A constituição federal de 1988, também conhecida como “constituição cidadã”, garante em seu artigo 205, que a educação é um direito de todos e um dever do Estado. Entretanto, a realidade brasileira evidencia o contrário, uma vez que, a evasão escolar tem aumentado de maneira expressiva. Tal fato é reflexo da vulnerabilidade socieconômica de alguns alunos, bem como da existência de um ensino conteudista. Dessa maneira, é necessário que medidas sejam tomadas, já que isso, tem se tornado um  problema social no país.

Segundo o Ministério da Educação, cerca de 2,5 milhões de crianças e adolescentes estão fora das escolas. Nesse sentido, a violência, gerada por falta de oportunidades sociais, a gravidez precoce, decorrente da falta de informação, a necessidade de ajudar financeiramente a família, devido ao desemprego, assim como problemas de meio de transporte, por alguns alunos residirem em zonas rurais ou periféricas e a precariedade na infraestrutura escolar, podem estar entre os motivos desse expressivo número. Assim, nota-se a falta de políticas públicas do Estado, que tornem os direitos civis, citados por Thomas H. Marshall, como o direito ao trabalho, à moradia, à alimentação, à saúde e por fim, à educação, acessíveis à todos os alunos e suas famílias no Brasil.

Outrossim, sabe-se que a grade curricular brasileira é bastante conteudista. Isso, torna-se um motivo evidente para que alunos deixem as escolas, por considerarem algo monótono. Nessa perspectiva, segundo o educador e filósofo Paulo Freire, a educação no Brasil é chamada de educação bancária, na qual o conhecimento do professor apenas é transferido ao aluno de maneira metódica. Em contrapartida, a educação proposta por Freire, chamada de educação libertadora, busca ensinar de maneira horizontal, por meio do conhecimento da realidade, a fim de buscar melhorias sociais. Desse modo, é evidente uma educação dinâmica, na qual há troca de conhecimentos, vivências e experiências entre professor e aluno, a qual seria mais atrativa para os alunos.

Diante do exposto, com o intuito de mudar a realidade brasileira em relação à evasão escolar, a correlação entre governo e Ministério da Educação é de suma importância. Assim, ao primeiro, cabe a criação de políticas públicas que tornem os direitos civis acessíveis à todos, como retrata a constituição. Ainda, cabe melhorias no transporte público, principalmente para alunos que residem na zona rural e nas periferias, além de melhorias na infraestrutura escolar. Já ao segundo, cabe a mudança na grade curricular brasileira, de modo a torná-la mais atraente e dinâmica, como a educação proposta por Paulo Freire.