Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 08/08/2020

Conforme ressaltou o pedagogo e filósofo Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco a sociedade muda”. Ademais, no Brasil, a permanência do aluno na escola está cada vez mais difícil, caracterizando a chamada evasão escolar, um dos desafios a ser enfrentado por gestores e pela comunidade escolar. Nesse âmbito, pode-se perceber que a problemática persiste devido ao arcaico modelo de educação, o que faz com que o número de desempregados aumente.

Em primeira análise, convém ressaltar que segundo o filósofo Rousseau, a educação deve, a priori, despertar o interesse do aluno e, para isso, é necessário ela ser lúdica, progressiva e interativa. No entanto, o modelo de ensino difundido em sala de aula ainda é do século XIX, em que o professor é o sujeito responsável por passar o conhecimento e o aluno não passa de um memorizador, não sendo instigado a refletir e participar de debates. Desse modo, o Brasil forma uma juventude alienada, a qual se interessa por tudo que não seja educação, o que acarreta em faltas, seguidas de reprovação e evasão.

Em segundo plano, é imperativo pontuar que as conseqüências da Revolução Industrial se tornaram mais evidentes. Por conta dela, as vagas no mercado de trabalho passaram a ser mais concorridas devido à maquinização dos serviços, o que exige do trabalhador uma melhor especialização, a qual é adquirida pelos estudos. Todavia, como os adolescentes não estão sequer concluindo o ensino médio, essa boa formação não é alcançada. Sendo assim, o número de desempregados cresce entre os púberes, os quais recorrem ao mercado informal e até mesmo para o crime.

Destarte, a partir dos fatos supracitados, fica evidente a premência de intervenções no atinente à evasão escolar na realidade brasileira. Portanto, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, diretores e professores, elaborar um programa de ensino, por meio de novas metodologias e materiais pedagógicos, para incentivar o debate em sala de aula, de modo que o estudante se interesse pelo processo de aprendizagem. Tal plano deverá focar, principalmente, na ministração de palestras por profissionais da educação, a fim de desenvolver o senso crítico no estudante. Outrossim, a mídia, suporte de difusão de informação, deve divulgar as conseqüências da evasão escolar, por meio de propagandas publicitárias, a fim de alertar a sociedade para os índices de desemprego e criminalização. Por conseguinte, por intermédio de uma boa educação a sociedade poderá mudar para melhor.