Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 22/12/2020

A Constituição Cidadã de 88 trouxe inovações significativas na asseguração do direito ao ensino de qualidade. Todavia, mesmo com tal aparato, a população brasileira ainda sofre com empecilhos - como a elitização socioeconômica e a falta de dinamicidade didática - para acesso pleno às instituições educacionais, ocasionando a grande taxa de evasão escolar no Brasil, em comparação a regiões mais desenvolvidas.

Em primeira análise, tem-se a recorrente distribuição desigual de renda diretamente ligada à segregação educacional. No documentário brasileiro “Pro dia nascer feliz”, é notório a situação deplorável a qual estudantes de classes menos abastadas são submetidos. Nesses ambientes discentes, que encontram-se principalmente no semiárido nordestino, há falta de itens básicos para o dia-a-dia escolar, desde quadros e carteiras a até mesmo alimentos para os alunos. Vislumbra-se, portanto, a instauração de castas sociais, no qual os mais ricos se beneficiam de instituições privadas, com melhores estruturas e ensino, enquanto os mais pobres continuam a enfrentar dificuldades na promoção devida do conhecimento.

Ademais, ante a tais circunstâncias, configura-se ainda a ausência da aplicabilidade do ensino como uma causa para o desinteresse dos jovens na educação. Segundo Paulo Freire, o processo didático brasileiro é marcado intrinsecamente pela “sociedade do desempenho”. Dessa forma, há a presença de um caráter pedagógico conteudista, que visa valorizar, erroneamente, a quantidade de informações absorvidas pelo indivíduo e, não, a utilidade de tais na vida acadêmica e profissional do sujeito. Urge, pois, a extrema necessidade de mudança de perspectiva do corpo social perante à problemática em questão.

É mister a atuação do Ministério da Educação junto ao Estado na reformulação clara das diretrizes educacionais, a fim de tornar o ensino qualificatório, bem como, a disponibilização de verbas suficientes para suprimir as necessidades básicas do corpo docente (giz, lápis, cadeiras, mesas…), objetivando-se a mudança do panorama descrito por meio da universalização do ensino brasileiro. Pois, como diria Immanuel Kant: “ O homem é aquilo que a educação faz dele”.