Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 23/08/2020
Na obra “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, é retratada a trajetória de Fabiano, que procura por melhores condições de vida, como uma boa educação. No decorrer da narrativa, Fabiano é ridicularizado por outros personagens pela sua forma de falar e compreender assuntos complexos. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Ramos pode estar relacionada ao problema da evasão escolar no Brasil. No entanto, a falta de investimento em educação e os métodos educacionais ultrapassados corroboram para a ausência da educação escolar na vida de milhares de brasileiros. Com isso, faz-se necessária uma intervenção que busque reverter esse panorama.
De início, tem-se a noção de que a Constituição Federal de 1988 assegura a todos os cidadãos o direito à educação de qualidade e igualitária. Porém, o Brasil está inserido em um contexto desigual e que gera a carência de investimento - por parte do Estado - nas escolas e universidades públicas, prejudicando o ensino de vários estudantes. Nesse contexto, a teoria do escritor Gilberto Dimenstein no livro “O Cidadão de papel”, de que nem sempre as leis presentes nos documentos oficiais são cumpridas, se comprova verdadeira quando comparada à realidade precária do ensino público do país. Desse modo, fica claro que a falta de investimento em educação colabora para a desigualdade social.
Sob essa ótica, o psicanalista Sigmund Freud - em sua teoria desenvolvimentista - tratou da influência do meio na formação do indivíduo. Acerca dessa lógica, é de suma importância a criação de novos métodos educacionais, baseadas no ideal de Platão. Para o filósofo da Antiguidade, o conhecimento era obtido através da dialética (discussões saudáveis) e por meio do questionamento. Dessa forma, a ampliação de técnicas educacionais é fundamental para o desenvolvimento e autonomia do cidadão.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população a respeito do problema, urge que o Ministério da Educação elabore, por meio de verbas governamentais, uma diretriz de investimento voltada à difusão do ensino de qualidade - como a procurada por Fabiano no livro “Vidas secas” - a fim de proporcionar metodologias adequadas nas salas de aula. Somente assim, o Brasil poderá diminuir o índice de evasão escolar no país, e, ademais, auxiliar na busca pelo conhecimento.