Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 26/08/2020

Desde a Revolução Francesa, entende-se que uma sociedade só progride quando se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a evasão escolar no Brasil, verifica-se que esse ideal empático é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, devido não só à falta de interesse - por parte dos estudantes - pela escola, mas também pela ausência de uma infraestrutura escolar adequada. Com isso, faz-se necessária uma intervenção que busque reverter esse panorama.

Em primeiro lugar, é indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Sob essa ótica, o filósofo grego Aristóteles afirmou que a política deve ser ultilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que no Brasil, a falta de interesse em frequentar o ambiente escolar rompe essa harmonia, haja vista que, de acordo com o Banco Mundial, 52% dos jovens brasileiros com idade entre 19 e 25 anos perderam o interesse pela escola. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é imprescindível para a construção da universalização do ensino.

Por conseguinte, destaca-se a ausência de uma infraestrutura adequada como impulsionador do problema. Dessa forma, de acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que devido à administração pública defasada e a má fiscalização por parte de algumas gestões, as expectativas dos alunos sobre as aulas não são firmadas. Desse modo, a não efetividade das leis - por parte do Governo - corrobora para o aumento do índice da evasão escolar no Brasil.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população a respeito do problema, urge que o Ministério da Educação elabore, por meio de verbas governamentais, uma diretriz de investimento voltada à difusão do ensino de qualidade, a fim de proporcionar uma infraestrutura que atenda às expectativas dos estudantes, de modo que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria de Platão. Somente assim, o Brasil poderá diminuir o índice de evasão escolar no país, e, ademais, auxiliar na busca pelo conhecimento.