Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 30/08/2020

Na Idade Média, a sociedade feudal europeia era dividida em estamentos, na qual o clero detinha o poder, a nobreza ostentava privilégios e a maior parte da população, os servos, praticamente não possuía direitos, lhes restando apenas o trabalho compulsório e exploratório para subsistirem. Desse modo, podemos traçar um paralelo com a questão da evasão escolar e a realidade brasileira atual, na qual, a parcela da população que possui vulnerabilidade econômica é a que mais abandona os estudos, não conclui o ensino médio e, muitas vezes, nem ao menos conclui o ensino fundamental devido a necessidade de trabalhar. Com isso, percebe-se a falta de seguridade de direitos e a desigualdade no acesso à educação no país.

Em um primeiro momento, é fundamental evidenciar as condições de vida das famílias dos jovens que deixam as escolas. Tendo em vista que a renda familiar per capta inferior a um salário mínimo é fator determinante nestes casos, demonstrando a desestruturação econômica vigente em grande parte das famílias brasileiras, o que leva a impossibilidade de acesso à educação básica. Estes aspectos validam a existência da desigualdade na distribuição de renda, o que demonstra um ciclo interminável, no qual famílias com baixa escolaridade, que por consequência, encontram-se em trabalhos com condições e remuneração precárias, geram filhos que terão as mesmas condições de vida. Logo, percebe-se a falha do governo em assegurar o acesso à educação e a distribuição igualitária de renda.

Em consonância, a ocorrência de gravidez na adolescência é um dos principais fatores que influenciam na evasão escolar. O que corrobora a negligência do Estado, uma vez que a falha presente na estrutura familiar dos jovens, reflexo da falta de informação e assistência educacional na vida dos cidadãos baixa renda, acarreta a ocorrência de gestação em momento inadequado que impede a conclusão dos estudos e, assim, a possibilidade de melhoria de vida. Essa lógica é validada pelo discurso do filósofo prussiano do século XVIII, Immanuel Kant, que defendeu a máxima de que o homem não é nada além do que a educação faz dele.

Portanto, medidas precisam ser tomadas para a amenização e resolução desta realidade educacional. O governo estadual, aliado ao Ministério da Educação, deve investir em programas de busca ativa dos alunos em situação de evasão escolar e promover estratégias para fornecer subsídios suficientes aos mesmos de acordo com sua realidade familiar, por meio da criação de auxílios financeiros, a fim de assegurar a conclusão do nível básico de escolaridade. E, por fim, promover maior acessibilidade ao nível técnico em conjunto com o ensino médio, visando diminuir, no futuro, o número de famílias em situação precária e assim barrar o ciclo de evasão escolar.