Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 05/09/2020

Na biografia “Quarto de despejo” de Carolina Maria de Jesus, retrata que a própria escritora precisou abrir mão da sua alfabetização para procurar emprego e assim sustentar os seus filhos. Desse modo, percebe-se de maneira semelhante, que assim como mencionado na bibliografia à evasão escolar é uma questão presente no cenário atual do Brasil. Nesse contexto, há dois fatores que não podem ser negligenciados: a situação econômica desfavorável por parte da família do indivíduo e pela falta de interesse do jovem no que tange às aulas clássicas.

Em primeira análise, cabe pontuar de acordo com o filósofo inglês John Locke, o Estado, por meio de um contrato social, deve garantir o bem-estar à população. No entanto, a falta de políticas públicas referente às condições econômicas desfavoráveis da família brasileira acentua o alto escape de alunos em relação à escola. Assim os estudantes, muitas vezes obrigado por ser por seus parentes, tornam-se colaboradores quando o assunto é dinheiro, uma vez que ingressam no mercado de trabalho. Em virtude desse engajamento precoce, o jovem, infelizmente, terá uma baixa qualificação quando comparado aos seus concorrentes, posto que não terminou seus estudos. Logo, é preciso um novo posicionamento das autoridades diante do problema.

Ademais, é importante compreender o desinteresse do aprendiz em relação às aulas tradicionais. Ao entender que as os institutos escolares não se adequam à sua perspectiva e realidade jovem acha o ambiente pouco dinâmico e com baixa flexibilidade, dado que atende, somente, aos interesses de uma fração de indivíduos, fortalecendo sua desistência. Percebe-se, pois, que o sistema atual de ensino ultrapassado e, também, carente de novas reformulações em sua grade curricular. A prova disso se revela em uma pesquisa realizada pelo Banco Mundial, em que 25% dos brasileiros entre 15 e 17 anos abandonam os estudos anualmente.

Diante dos fatos supracitados, é indubitável a necessidade de medidas eficazes e peremptórias que alterem essa realidade. Logo, o Estado mediante políticas públicas, deve realizar projetos sociais voltados a famílias carentes, oferecendo-lhes serviços que gerem uma maior renda familiar, dado que, assim, o aluno não será prejudicado em relação ao seu aprendizado e, também, não precisará entrar no mercado de trabalho de forma precoce. É preciso, ainda, que as escolas, por meio de uma nova reformulação nos seus sistema de ensino, dê importância aos interesses de todos os alunos, de modo a colocar profissionais capacitados e adequados para atender a essa demanda. Dessa forma será possivel garantir um futuro que, de fato, seja diferente do apresentado.