Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 18/09/2020
No período da Revolução Industrial, observou-se que o índice de crianças e jovens que iniciaram a fase mercantil precocemente foi elevado, fato que influenciou na desistência da preparação educacional, caracterizando a questão da evasão escolar como um problema social existente desde épocas remotas. Hodiernamente, é perceptível que, no Brasil, a questão do abandono escolar é uma prática comum desde a infância, resultando em adultos pouco escolarizados, refletindo em uma baixa qualificação profissional. Dessa forma, é necessário analisar como a desigualdade social e a negligência escolar contribuem com o agravamento da problemática.
A priori, é essencial elencar que a questão social é um dos fatores prioritários para a perpetuação do problema. Tal fato decorre da situação dos indivíduos de baixa renda e classes vulneráveis, os quais, em sua maioria, precisam se inserir prematuramente no mercado de trabalho, aceitando subempregos, com o intuito de auxiliar na renda e garantir o sustento da família. Com essa análise, é possível saber que tais pessoas não conseguem administrar o tempo entre a educação e o trabalho, sendo obrigados a abandonar um desses, optando por ser a escola, uma vez que não é vista como tão necessária diante da realidade vivenciada. Outro ponto importante a ser citado diante da situação da evasão escolar é o da gravidez precoce que ocorre devido a falta de uma educação sexual eficaz, questão essa que não é trabalhada e proporciona um número alto de adolescentes que saem da escola para cuidar dos filhos.
Além disso, deve-se discorrer como um fator influenciador da problemática a questão da artificialidade da educação. Isso se deve pela forma pela qual o ensino é repassado, visto que os conteúdos programados são administrados mecanicamente e vistos como desnecessários pelos alunos que não enxergam um futuro promissor devido as circunstâncias da vida, fomentando a falta de interesse e, assim, o desejo de abandonar a escola. Com isso, o pensamento do sociólogo brasileiro Gilberto Dimenstein sobre as leis sociais que, apesar de existirem, não são aplicadas de forma eficaz, é demonstrado através da educação básica que não é incentivada aos indivíduos, tornando-os pessoas pouco alfabetizadas e com dificuldade para se inserir no mercado profissional que, por consequência, enfrentam obstáculos para ascender socialmente, refletindo em um negativismo social.
Portanto, é perceptível que a situação da evasão escolar é uma questão que necessita de mais notoriedade no país. Assim, o Ministério da Educação, pelo seu posto de incentivador do conhecimento, deve modificar a mecanização do ensino, através de projetos sociais que dinamizem a ação, instigando a vontade de aprender sobre a vida e a sociedade, com o intuito de transformar a realidade e, reduzindo o índice de desinteresse e desistência da escola, além de modificar o contexto vigente.