Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 30/11/2020

No livro “Mito da Caverna”, o filósofo Platão aborda sobre como indivíduos que não recebem educação de qualidade tendem a viver numa “caverna” de ignorância, sem conhecer a verdade que está fora de sua realidade. Nessa perspectiva, grande número de crianças e adolescentes estão sujeitos a essa condição de desinformação graças à evasão escolar, fenômeno em que tais jovens abandonam a escola, local destinado a proporcionar conhecimento, seja por conta da falta de motivação gerada pelo modelo educacional falho ou pela pobreza exacerbada, a qual obriga-os a trabalhar para sustentar suas famílias.

Em primeira análise, o molde educacional atual é responsável por gerar a desmotivação de estudantes. De acordo com Paulo Freire, a escola deve ser o local de humanização daqueles que a frequentam, ou seja, devem ser tratados como seres humanos que possuem dificuldades particulares, não como robôs que “absorvem” informações. Entretanto, é evidente que isso não ocorre, o que dá espaço para a aprendizagem superficial, na qual o quantitativo (notas) é mais valorizado, alunos apenas decoram fórmulas, conceitos e seguem uma rotina, sem reconhecer a utilidade do que é ensinado.

Ademais, a pobreza tem grande impacto na escolaridade dos cidadãos. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 11,8% dos alunos que evadiram a instituição de ensino eram pertencentes à camada mais pobre da sociedade. Decerto, esses indivíduos deixam de focar nos estudos e entram no mercado de trabalho com o objetivo de ajudar no sustento de suas famílias. Consequentemente, por não possuírem um diploma, passam a ocupar cargos mais baixos e a receber salários precários, situação que gera mais desigualdade social.

Portanto, é essencial a tomada de decisões que melhorem a problemática supracitada. Assim, o Ministério da Educação deve diminuir o número de alunos nas salas de aula e promover a contratação de mais professores capacitados, com o objetivo de possibilitar o atendimento das dificuldades de todos os estudantes e gerar maior humanização do ensino, como o afirmado por Paulo Freire. Outrossim, deve ser criada a “Bolsa Escola”, a qual fornecerá dinheiro aos aprendizes mais pobres, porém tais cédulas apenas serão liberadas caso não ocorram faltas e avaliações negativas feitas por docentes. Dessa forma, os níveis de evasão escolar poderão diminuir e os jovens não viverão “presos às cavernas” de Platão.