Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 13/10/2020
Thomas More, filósofo inglês, disserta, em sua obra “Utopia”, a respeito de uma sociedade perfeita, na qual o corpo social é isento de conflitos sociais. No entanto, essa é uma visão distante da realidade observada no Brasil atual, onde a evasão escolar se faz presente e se apresenta como um empecilho para o pleno progresso da nação. Esse cenário é fruto da negligência governamental, caracterizada tanto pela postura imediatista por parte dos dirigentes de Estado, como pela falibilidade da função educacional.
Em primeiro plano, é fundamental ressaltar que a visão de curto-prazo dos representantes políticos corrobora o desvio estudantil. Isso se deve à atuação dos governantes baseada em uma cultura de recompensa, fazendo somente aquilo que traz retorno imediato, com vistas à aceitação popular e na continuação do seu mandato. Consequentemente, os representantes demonstram desinteresse pelo esclarecimento de problemas sistêmicos, como é o caso da evasão escolar. Isso pode ser comprovado pela atuação de chefes de Estado, que focam, por exemplo, na construção de estradas e rodovias, ao invés de direcionar a atenção para a lamentável realidade da evasão escolar no país.
Ademais, evidencia-se que o mau cumprimento da função educacional pelo Estado motiva a evasão escolar. Segundo o pensamento do filósofo alemão Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Analogamente à essa ideia, o poder público, ao incentivar uma educação tecnicista, que visa à reprodução de conteúdos específicos em provas técnicas, como vestibulares, promove a formação de cidadãos robóticos. Muitos estudantes, ao presenciarem esse modelo de educação, se veem desestimulados e desmotivados a seguir esse caminho, optando pelo desvio escolar. Dessa forma, faz-se mister a reformulação urgente dessa postura estatal.
É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para conter o avanço da problemática no país. Assim, a fim de abrandar o imbróglio, é imprescindível que a sociedade cobre do chefe de Estado uma postura intolerante em relação aos problemas sistêmicos, por meio de manifestações públicas e também dos meios de comunicação de massa - como por exemplo o rádio e a televisão, que possuem um enorme poder de alcance. Além disso, o Governo Federal deve, por intermédio do Ministério da Educação e por meio de reformas no sistema educacional, investir em uma educação voltada para a formação social do indivíduo e não só para o ensino de conteúdos técnicos. Dessa forma, atenuar-se-á a problemática da evasão escolar, e a coletividade poderá alcançar a utopia de More.