Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 14/10/2020
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema judiciário brasileiro - assegura que a República tem como um de seus objetivos fundamentais promover o bem de todos, no qual inclui-se o direito à educação. Entretanto, os frequentes casos de evasão escolar mostram que os indivíduos não querem mais experimentar esse direito na prática. Assim, cabe um diálogo acerca do descaso do Poder Público atrelado ao desinteresse estudantil para combater a problemática em questão.
Em primeiro plano, é necessário avaliar que a evasão escolar no Brasil é fruto do falho sistema de ensino. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman defende, na obra “Modernidade Líquida”, algumas instituições políticas tem sido incapazes de exercer sua função social, tornando-se “zumbis”, assim como tem ocorrido com o Ministério da Educação e sua falhas ações em cativar os alunos para permanecerem nas escolas. Nesse contexto, é notório que devido a falta de infraestrutura adequada nas escolas - como bibliotecas e recursos tecnológicos para estudos - , os adolescentes estão abandonando cada vez mais cedo a educação. Por conseguinte, as escolas não tentam identificar o perfil do jovem que evade a escola e a sua realidade, para que seja feita a análise correta e a busca eficiente que leva inúmeros indivíduos a desistirem dos seus estudos.
Ademais, é importante destacar que os indivíduos não tem consciências dos impactos do desinteresse estudantil no mercado de trabalho. Diante disso, o filme “Mãos Talentosas”, conta a história de um neurocirurgião, de origem humilde, que com esforço e determinação alcançou o sucesso, o jovem recebia incentivo da sua mãe, uma senhora analfabeta, que desejava que o filho progredisse nos estudos. Não distante da ficção, nos dias atuais, grande parte dos indivíduos economicamente vulneráveis enfrentam problemas semelhantes para conseguir uma educação digna, contudo, outros não alcançam o mesmo êxito, seja pela falta de incentivo familiar ou pelo desinteresse estudantil, de modo que escolhem entrar no mercado de trabalho precoce e não conseguem terminar os estudos. Dessa forma, o senso crítico do indivíduo é totalmente corrompido.
Portanto, medidas são necessárias para evitar os casos de evasão escolar na sociedade brasileira. Para tanto, cabe ao Governo Federal em parceira com o Ministério da Educação, destinar verbas específicas para as escolas para que seja garantido uma infraestrutura decente para os alunos se sentirem acolhidos, com o intuito que possam acabar os estudos. Além disso, também deve inserir na grade curricular das escolas palestram que abordem a importância da alfabetização, para que os pais possam acompanhar a vida escolar dos filhos e incentivá-los. Feito isso, será possível diminuir o índice de evasão escolar e assegurar o objetivo da Constituição Federal.