Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 19/10/2020
Segundo o escritor Gilberto Dimenstein, a cidadania é uma garantia por lei dos seres humanos nascerem livres e iguais em dignidade e direitos. Entretanto, a sua obra “cidadãos de papel” retrata um indivíduo que possui direitos básicos apenas na legislação, uma vez que o personagem não usufrui das liberdades positivas. Sob tal perspectiva, a uniformização da sociedade em cidadãos de papel, assemelha-se ao protagonista da composição nacional, visto que grande parte da população brasileira apresenta alta taxa de evasão escolar, não obtendo o direito à educação. Tal problemática está associada à falta de incentivo por parte da escola e à estrutura socioeconômica do país.
Primeiramente, é relevante destacar que, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da sociedade. Contudo, a desigualdade econômica vigente no país dificulta grande parte da população a concluir seus estudos, uma vez que muitas crianças e jovens desistem da escola para trabalhar e ajudar as famílias à se manterem. Assim, os estudantes de baixa renda tem maior probabilidade de abandonarem as escolas, gerando a necessidade do ingresso precoce no mercado de trabalho e, por conseguinte, tornam os estudantes vulneráveis ao envolvimento com o crime e à uma vida de condições precárias. Logo, urge a necessidade do Estado reverter a situação e fornecer o direito à educação de qualidade para a sociedade estudantil.
Por outro lado, é relevante abordar que, segundo a Fundação Getúlio Vargas, 40% dos jovens que saíram de suas instituições de ensino alegaram a falta de interesse nos conteúdos ministrados em aula como causa principal de sua evasão. Desse modo, a falta de incentivo e motivação proveniente das escolas dificultam a autoestima dos alunos e condicionam ao fracasso escolar. Nesse sentido, os estudantes não compreendem a importância da educação para as suas vidas, tendo esse motivo como fator crucial para a evasão escolar. Paralelo à isso, a baixa qualidade no ensino público é uma condição para essa problemática, visto que as quantidades de aulas vagas e professores não qualificados são altas. Destarte, os discentes desistem das instituições de ensino. Nessa lógica, a população brasileira se torna cidadãos de papel, como proposto por Gilberto Dimenstein.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação aliado às personalidades do meio educacional, criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas do ensino fundamental, médio e superior o qual promova “a semana do combate a evasão escolar no Brasil”. Tal ação pode ser feita por meio de palestras e apresentações lúdicas de fácil entendimento. Nesse período, os alunos poderão debater com os seus professores as dificuldades enfrentadas na escola, que por muitas vezes são originadas no próprio ambiente. Desse modo, o abandono escolar não será uma realidade brasileira.