Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 20/10/2020

No livro Vidas Secas do escritor brasileiro Graciliano Ramos, o sertanejo Fabiano, se julga pouco inteligente por não ter completado seu ensino escolar. Tal obra, em primeira análise, se assemelha substancialmente com a realidade contemporânea brasileira, a evasão escolar. Nesse contexto, questões como a falta de incentivos governamentais e as baixas condições financeiras das famílias, tornam-se discussões cruciais no âmbito democrático.

Em primeiro plano, o problema procede de uma educação pouco atrativa, onde a falta em investimentos com materiais pedagógicos e a capacitação de professores, refletem nos alunos um baixo interesse nos estudos. Segundo Mario Sergio Cortella, filósofo brasileiro, ‘‘se a educação não for provocativa, não se constrói, não se cria, não se inventa, só se repete". Sob esse viés, ao contrário da lacuna de amparo do governo em relação a rede pública, o ensino privado oferece uma maior qualidade e preparo aos alunos, porém não são todos que possuem condições de migrar para esse tipo de ensino, elevando assim, a desigualdade educacional no país.

Em segundo plano, as condições financeiras das famílias brasileiras fazem com que os estudantes necessitem ingressar para o mercado de trabalho rapidamente, optando por um ensino de baixa qualidade ou resultando em sua retirada da escola. Nesse cenário, as pessoas que concluem o Ensino Médio, possuem maiores rendas, além de um acompanhamento e incentivo educacional por parte dos responsáveis. Desse modo, o fato fica mais visível nos lugares periféricos, onde as escolas ficam nos grandes centros urbanos, comprometendo os estudantes dessas áreas a se deslocarem por transportes e estradas em péssimas condições.

Evidencia-se, portanto, que medidas exequíveis que revertam essa problemática são de extrema necessidade. Logo, cabe ao Ministério da Educação proporcionar um ensino mais rico em aprendizado e convidativo, e também implementando mais Ensino para Jovens e Adultos (EJA) que saíram das escolas há muito tempo, e assim colaborando junto com o Ministério do Desenvolvimento Social a construção de rede de ensino perto das periferias, facilitando o deslocamento dos alunos e a parceria entre família e escola. Além do Ministério do Trabalho, elaborar projetos de capacitação dos profissionais da educação, colocando em pauta a sua importância interativa com os estudantes. Feito isso, a sociedade brasileira poderá amenizar os índices evasivos das escolas.