Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 30/10/2020
No “Conto de Escola”, Machado de Assis apresenta críticas à escola como, por exemplo, os professores que transmitem apenas o conteúdo sem, de fato, interessar-se pela aprendizagem dos alunos. A realidade brasileira compactua com a obra literária, uma vez que é um modelo vertical e conteudista, além disto, os jovens estudantes enfrentam obstáculos culturais, sociais e de infraestrutura para conseguirem acesso à educação. Nesse sentido, faz-se necessário a reformulação das matrizes escolares e o investimento em instituições de ensino.
Ademais, é importante destacar os principais desafios que os alunos lidam, ou seja, quais as causas do abandono escolar. Nessa esteira, salienta-se a desigualdade de oportunidades, a precariedade das instituições de ensino e, também, a falta de conexão dos conteúdos escolares com os interesses e desejos dos estudantes. De acordo com o livro “Pedagogia da Autonomia”, Paulo Freire aborda que “ensinar não é transferir conhecimento”, mas sim proporcionar aos alunos o desenvolvimento da autonomia e da construção de conhecimento o que, infelizmente, não é aplicado na realidade do sistema educacional brasileiro, o que intensifica o desinteresse. Logo, é de extrema relevância garantir que haja uma conexão entre os estudos e o estudante.
Nesse contexto, as crianças e adolescentes lidam com consequências negativas, que podem ser notadas individualmente ou coletivamente. Segundo o artigo 205 da Constituição Federal, a educação é um direito de todos e um dever do Estado e da família e visa o desenvolvimento pessoal, o preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. No entanto, o afastamento precoce, antes do fim do ciclo escolar, ameaça, lamentavelmente, à cidadania, um direito, que em tese é garantido pela Constituição de 1988. Ademais, afeta, infelizmente, a garantia dos direitos sociais como, por exemplo, o trabalho, uma vez que o nível de escolaridade permite que o cidadão ascenda no mercado de trabalho com melhores salários e cargos. Portanto, assim como no documentário “Quando sinto que já sei”, é preciso propor modelos alternativos na estrutura educacional.
Dessa maneira, com o objetivo de aumentar o interesse estudantil nas matérias curriculares, faz-se necessário que o Estado promova a reformulação da grade curricular, tanto do Ensino Fundamental II quanto do Ensino Médio, através da contratação de especialistas, que tenham como base um modelo horizontal, que garanta a proximidade e o desejo do aluno pelos conteúdos e, também, o desenvolvimento da autonomia e cidadania. Ademais, é importante que o Governo invista em instalações públicas de ensino, através do redirecionamento de verbas e arrecadamento de impostos, a fim de melhorar a infraestrutura e, consequentemente, combatendo e reduzindo a evasão escolar.