Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 14/11/2020
Diz o artigo 205 da Constituição Federal de 1988: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Fora do texto constitucional, nota-se que essa garantia está aquém de se tornar uma realidade, na medida em que a evasão de estudantes do ensino básico cresce, motivada por falta de suporte do Estado e de cunho social. Portanto, torna-se evidente medidas que possam sanar essa problemática.
De início, nota-se que a evasão escolar no Brasil é a terceira maior do mundo: em média, 24,1% dos alunos não concluem o Ensino Fundamental até os 16 anos e 40,8% dos jovens não terminam o Ensino Médio até os 19 anos, isso consoante análise do sítio Somos Par. Nesse sentido, as causas que desestimulam os discentes a concluir os estudos são numerosas e variadas. Nessa ótica, ainda de acordo com o Somos Par, um desses motivos são as dificuldades de aprendizagem, baseadas na desasagem de competências e habilidades que já deveriam ter sido desenvolvidas em anos anteriores.
Da mesma maneira, a necessidade de trabalhar é outro fator que provoca o abandono escolar. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad), divulgada em julho de 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse foi o motivo apontado por jovens de 14 a 19 para abandonar os estudos. Segundo o IBGE, ao todo, no Brasil, 20,2% deles não completaram o Ensino Médio, seja porque abandonaram a escola antes do término dessa etapa, seja porque nunca chegaram a requentá-la, tudo isso motivado pelo fato de terem que auxiliar no sustento da casa.
Dessa forma, a evasão escolar nos ensinos básicos deve ser combatida. Para tanto, o Ministério da Educação e Cultura (MEC), deve adaptar o método de ensino à geração que está nas escolas hoje, mediante o uso da tecnologia como aliada na sala de aula. Bem como, propor novas práticas pedagógicas e investir em ferramentas tecnológicas que apoiam o processo de ensino-aprendizagem. Além disso, a escola precisa acionar a assistência social da prefeitura de seu município, para que ela entre em contato com a família e sugerir o ingresso dessas pessoas em politicas públicas específicas, pois somente assim, o mandamento constitucional no que se refere a esse direito social, será plenamente observado, tanto pelo Estado quanto pela sociedade.