Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 31/10/2020
Em sua célebre obra Utopia, Thomas More fala de um lugar ideal, onde não há sofrimento ou qualquer problema social. Contudo, na contemporaneidade brasílica, essa realidade relatada pelo antigo pensador está longe de ser alcançada, tendo em vista que a evasão escolar é um problema real. Dito isso, faz-se necessário debater a questão governamental e social para solucionar o impasse.
Diante de tal cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que a Constituição Federal, em seu artigo 6º, assegura o direito à educação para todos. Entretanto, o que se nota é a inoperância dessa norma constitucional, haja vista a mínima expressividade do Estado para manter os jovens e as crianças na escola. Tal questão é comprovada pela baixa qualidade das escolas públicas, as quais apenas 2% são consideradas de boa qualidade pelo Ministério da Educação. Desse modo, as instituições de ensino não oferecem os atrativos necessários, como laboratórios científicos, para manter o discente nos estudos, tendo em vista as analises feitas dos dados coletados pelo governo.
Além disso, é válido comentar que a realidade socioeconômica das famílias brasileiras justifica, de certo modo, a evasão escolar. Sobre isso, é comum em grupos familiares mais pobres as crianças ajudarem na renda de casa, e, para isso, saem da escola para trabalhar. Essa situação é constatada pelos flanelinhas e vendedores de doces nos semáforos, os quais são, em grande parte, na cidade de São Paulo, por exemplo, menores de idade, segundo o jornal Folha de São Paulo. Somado a isso, nota-se que o futuro desses indivíduos estão comprometido, posto que, de acordo com o ativista Nelson Mandela, a educação é a melhor arma para mudar o mundo. Dessa forma, os mirins brasileiros em situação de evasão escolar sem essa suposta arma jamais transformará a sociedade.
Por fim, percebe-se a precariedade da situação escolar no Brasil. Assim, o Governo Federal, para fazer valer o artigo 6º da Carta Magna, deve investir em infraestrutura educacional, como laboratórios químicos e salas de cinema, por intermédio do Ministério da Educação, o qual disponibilizará os recursos necessários, como verbas. Com o objetivo de melhorar o ensino e encorajar os meninos e meninas a continuar os estudos. Ademais, a mídia, com seu alto caráter persuasivo, deve alertar a sociedade sobre a situação precária de grande parte das famílias brasileiras, que não conseguem manter os filhos na escola, por exemplo, por meio de seus diversos canais, como rádio, com fito de atingir setores específicos, tais como os órgãos públicos e as empresas privadas, os quais possam mudar a realidade nacional e acabar com a miséria e a evasão escolar. Só assim, o lugar ideal, como aquele dito pelo filósofo londrino Thomas More, será alcançado no país.