Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 12/11/2020
A Declaração dos Direitos do Cidadão expressa que o Estado deve assegurar os direitos, como o acesso à saúde, à educação, entre outros, para todos os indivíduos presentes na sociedade. Paradoxalmente, no cenário atual, ocorre o descaso público com o investimento na infraestrutura educacional do país, pois as redes públicas de ensino apresentam estruturas precárias para a condução do ensino educacional no Brasil. Desse modo, a negligência estatal somada a desigualdade social fundamenta o processo de evasão escolar, que consiste na decisão de saída do ensino educacional pelos individuos.
Em primeira instância, a desigualdade social no país promove a exclusão do acesso à educação, pois não há recursos financeiros estatais para atender a demanda das classes sociais mais baixas aos seus devidos direitos, em que se configura a exclusão dessa classe na sociedade. Nessa conjuntura, no Brasil, dos quase 50 milhões de jovens entre 14 e 29 anos, mais de 20% não completaram alguma das etapas da educação básica, o abandono escolar é maior para os mais pobres, segundo o apresentado em novembro de 2020 pelo aplicativo de informação G1. Nessa ótica, a população mais pobre tende a deixar as escolas para adentrar no mercado de trabalho e garantir recursos financeiros para conseguir viver no país.
Em segunda análise, segundo o ideal “Ubuntu”, que expressa o desenvolvimento do conceito de cidadania por meio da ética e empatia, os órgãos públicos apresentam o viés individualista por negligenciarem a concentração de renda desigual e não promover o apoio financeiro previsto pela constituição para as populações mais pobres. Assim, o Brasil é o nono país mais desigual do mundo, a distribuição de renda continua concentrada e prejudica a população mais pobre, segundo o apresentado em novembro de 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas. Por conseguinte, a população carece de investimentos públicos para gerar inclusão e promover o acesso a cidadania, porém o Estado falha em estabelecer os devidos recursos financeiros para a população.
Portanto, é mister a criação de políticas públicas para sanar o avanço da evasão escolar propiciada pela desigualdade social. Então, o Ministério da Educação, em conjunto com as prefeituras, deve propôr o investimento na infraestrutura das bases educacionais, por meio da implementação de palestras educativas, cedidas por professores, e auxílios alimentares, como a disponibilização de cestas básicas e refeições gratuitas, em redes de ensino público para conscientizar os indivíduos sobre a desigualdade social e garantir o acesso aos direitos do cidadão. Logo, o Estado deve priorizar o investimento na base educacional para combater a evasão escolar no Brasil.