Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 02/12/2020

Já no século XIX, a socióloga inglesa Harriet Martineau apontava que ideais teóricos não poderiam ser medida do grau de civilidade de uma sociedade se estes não se aplicassem a todos. Ainda no século XXI, o Brasil segue os passos de nações hipócritas que, mesmo estabelecidas sobre princípios de igualdade, apresentam inúmeras formas de injustiça social, evidenciadas por fenômenos como a evasão escolar. Mesmo sendo um direito de todos, garantido pela constituição, é observada a exclusão de setores sociais vulneráveis no processo educacional, o que limita sua cidadania.

Primeiramente, como mostram dados do IBGE, mais de 70% dos jovens entre 14 e 29 anos que não terminaram alguma etapa de sua educação básica são pretos ou pardos. Além disso, as principais causas de evasão escolar apontadas pelas pesquisas são dificuldades dos alunos por condições financeiras de acesso ou permanência ou por doenças, assim como o trabalho infantil. Estes problemas atingem as classes menos favorecidas, ou seja, o fenômeno é concentrado na população marginalizada, aprofundando ainda mais as desigualdades sociais.

Em segunda análise, como determinou o sociólogo Thomas Marshall, cujos ideais foram importantes para a criação da constituição de 1988, uma das três das bases da cidadania é o conjunto de direitos sociais, que devem ser garantidos pelo estado. Entre estes está o direito à educação básica, caracterizado pelo Estatuto da criança e do adolescente como direito de todos os jovens.

Desta maneira, a evasão escolar é um ataque direto à cidadania dos indivíduos privados de frequentar a escola. Tendo em vista, a importância de frequentar o ambiente escolar e como a evasão contribui para aprofundar as injustiças sociais, é importante que o Ministério da Educação, em parceria com o conselho tutelar, amplie a já existente rede de atendimento ao aluno evadido. Este deve aumentar investimentos na integração de forças de assistentes sociais, técnicos do ministério da saúde, entre outros profissionais e gerar mais bolsas de apoio para estudantes em vulnerabilidade social.