Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 03/12/2020

A pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), concluída em 2020, aponta que, aproximadamente, 20% das pessoas com idades entre 14 e 29 anos não tinham terminado alguma das etapas da educação básica. Logo, é perceptível que a evasão escolar é uma caótica realidade brasileira. Nesse âmbito, pode-se analisar que essa problemática persiste devido ao desinteresse do jovens e a infraestrutura precária das instituições de ensino.

Inicialmente, é importante ressaltar que existe um desinteresse por parte dos estudantes ao formato de como o conhecimento é transmitido. A exemplo disso, a declaração do educador e filósofo, Paulo Freire, em seu livro “Pedagogia da autonomia”, o qual afirma que a educação brasileira é historicamente conteudista, uma vez que o conhecimento é instruído de forma passiva. Desse modo, o sistema educacional desconsidera as outras habilidades dos alunos como, competências artísticas e comunicacionais.  Além disso, a precariedade de algumas instituições de ensino configura como um fator repulsivo a formação dos alunos, em razão de, existirem escolas que não possuem estruturas básicas para a transmissão de conhecimento como por exemplo, abastecimento de água e bibliotecas. Consequentemente, os discentes não observam na estrutura educacional brasileira um meio de ascensão social.

Ademais, é imperativo pontuar que uma formação escolar inadequada pode ocasionar uma ameaça à cidadania dos indivíduos. Tendo como exemplo disso, a afirmação do sociólogo britânico, Thomas Humphrey Marshall , em seu livro “Cidadania e classe social”, em que expõe que a cidadania é um conjunto de direitos civis, sociais e políticos garantidos por uma Constituição. Com isso, nota-se que a cidadania desses jovens é negligenciada uma vez que a Carta Magna  de 1988 garante, no artigo 205, que a educação é direito de todos e dever do Estado, mas são mínimos os recursos estatais para garantir esse aparato civil. Soma-se à isso, a vulnerabilidade social que esses estudantes que evadem das escolas são submetidos pois, uma defasagem educacional faz com que esses indivíduos ocupem postos de trabalho que oferecem uma baixa remuneração.

Portanto, é notório que a evasão escolar causa diversos prejuízos a  vida dos indivíduos. Sendo assim, cabe ao Governo Federal em parceria com o Ministério da Educação, promover uma modernização no sistema educacional brasileiro, por meio de uma modificação da Base Nacional Comum Curricular, especificamente, com a introdução de matérias voltadas para o desenvolvimento de outras competências estudantis como, artes e comunicação, a fim de torna o ensino mais atrativo nas escolas.