Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 12/12/2020

A Constituição Federal de 1988, Carta Magna do país, prevê, no artigo 6, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Contudo, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, quando se observa a evasão escolar na realidade brasileira, dificultando, assim, a concretização desse direito social tão importante. Nesse cenário, faz-se impreterível a análise do descaso estatal e da baixa renda familiar como fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a evasão escolar. Nesse contexto, a falta estrutura no ambiente escolar tem sido fator corroborador para a problemática, ao passo que recursos fundamentais para a consolidação do aprendizado, tais como bibliotecas, laboratórios e materiais didáticos, têm sido negligenciados. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo Aristóteles, configura-se como uma violação da harmonia social, já que o Estado não cumpre sua função de satisfazer as necessidades políticas e sociais do cidadão, como a educação, o que ainda é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a baixa renda familiar como impulsionador da evasão escolar no Brasil. Segundo o IBGE, o abandono escolar é oito vezes maior entre famílias mais pobres, o que representa cerca 12% dos casos de evasão, enquanto nas famílias ricas é cerca de 1,8%. Diante de tal exposto é notório que para ajudar na renda familiar, os jovens vêem a necessidade de ingressar precocemente no mercado de trabalho, e por consequência abandonam os estudos. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Entende-se, portanto, a necessidade de se combater esses entraves. Para isso, é imprescindível que o Estado, por intermédio do Ministério da Educação, invista nas estruturas físicas das escolas e na educação básica, a fim de que as escolas se tornem um ambiente atrativo e educativo aos alunos. Paralelamente, é imperativo que as secretarias de educação insira, nas grades de ensino, cursos profissionalizantes aos alunos menos abastados, com o intuito de haver uma dupla formação do discente, profissional e estudantil. Assim, será possível a construção de uma sociedade pautada pela concretização dos direitos elencados na Magna Carta.