Evasão escolar e a realidade brasileira
Enviada em 14/12/2020
O artigo 5º da Constituição de 1988 garante a todos igualdade de direitos perante a lei. Entretanto, as lacunas na aplicação do postulado geram brecha para problemas como a evasão escolar. Nesse sentido, faz-se mister a aplicação de estratégias para mudança dessa situação, que possui como causas a desigualdade social e a falta de debate.
A princípio, vale ressaltar que, segundo dados do IBGE, entre os grupos em maior risco de evasão escolar encontram-se jovens de baixa renda. Nesse contexto, segundo o Coeficiente de Gini, indicador de concentração de renda de um país, o Brasil é o 10° país mais desigual do mundo. Logo, é substancial a alteração desse quadro que vai de encontro com a problemática.
Outrossim, cabe analisar a falta de debate sob a perspectiva do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Segundo o autor, na “modernidade líquida”, os vínculos humanos têm a chance de serem rompidos a qualquer momento, fator que enfraquece a solidariedade e estimula a insensibilidade em relação ao sofrimento do outro. Nesse contexto, o silenciamento está diretamente relacionado a crescente do individualismo. Desse modo, faz-se necessária a reformulação dessa postura negligente.
Depreende-se, portanto, a urgência da adoção de medidas para mitigar o impasse. Para tanto, cabe ao Poder Legislativo aprimorar políticas públicas como o Bolsa Família - programa que busca garantir a famílias em situação de vulnerabilidades o direito a bens de consumo básicos - para que crianças e adolescentes em idade escolar não mais tenham que optar entre educação e evasão escolar para trabalhar e garantir subsistência. Ademais, deve haver investimento das mídias em campanhas de disseminação da temática, para que esta seja propagada e combatida. Posto isso, tornar-se-á possível a efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.