Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 18/12/2020

A Constituição Federal, promulgada em 1988, assegura à população o acesso a um serviço de educação de qualidade a todos os cidadãos brasileiros. No entanto, percebe-se que esse ideal democrático não é assegurado na prática, uma vez que a realidade da evasão escolar no Brasil configura-se como uma problemática que precisa ser combatida. Dessa forma, entende-se que a displicência estatal com relação ao ensino público no país, bem como a forte desigualdade social apresentam-se como obstáculos que impedem a atenuação do problema.

Em primeira análise, o pensador Thomas Hobbes afirma que, “o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população”, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Sob esse viés, em virtude da falta de atuação das autoridades no que diz respeito aos investimentos nas escolas públicas, em consequência disso, um a cada quatro alunos que inicia o ensino fundamental no Brasil abandona a escola antes de completar a última série, segundo dados do Relatório de Desenvolvimento. Além disso, é válido salientar que vários jovens, muitas vezes, possuem a escola distante de casa, falta de transporte escolar, não ter adulto que leve até a escola e a falta de interesse.

Ademais, outro aspecto relevante nesse contexto é a forte desigualdade social, segundo dados do IBGE, das 50 milhões de pessoas com idades entre 14 e 29 anos, dez milhões, ou seja, 20% delas, não tinham terminado alguma das etapas da educação básica. Sob tal ótica, muitos jovens por apresentarem dificuldades financeiras em casa, acabam optando por trabalhar ao invés de estudar, como forma de ajudar os pais em casa. Dessa maneira, é evidente que os jovens necessitam de melhores oportunidades, e que o Estado, além de combater a desigualdade social, na busca por uma sociedade mais justa e igualitária, também deve auxiliar as famílias de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para diminuir o número de evasão escolar na realidade brasileira. Portanto, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação (PNE) - promover a construção de escolas públicas em comunidades carentes do país, como periferias, do ensino básico ao médio, por meio de verbas governamentais para que todos tenham acesso à educação, além de garantir a manutenção da estrutura escolar e do transporte público escolar, visando um ensino de qualidade. Outrossim, cabe a empresas públicas e privadas aumentar o número de vagas nos programa de Jovem Aprendiz, o que possibilita que o adolescente estude e trabalhe. Logo, ele não precisará deixar a escola para trabalhar, porque já terá uma renda para auxiliá-lo.