Evasão escolar e a realidade brasileira

Enviada em 10/01/2021

No documentário “Nunca me sonharam”, dirigido por Cacau Rhoden, são apresentados depoimentos de alunos da rede pública de ensino de todas as regiões do Brasil. Dentre os diversos relatos, estão os de jovens que abandonaram os estudos, evidenciando que a evasão escolar faz parte da realidade brasileira. Nesse sentido, cabe analisar as causas desse grave problema: a desigualdade social e o desinteresse dos estudantes.

Em primeiro plano, é importante frisar que a precariedade de recursos impede que os discentes permaneçam estudando. Essa escassez, possui origens históricas, uma vez que o Brasil desde o século XVI sempre foi uma colônia de exploração, um modelo de ocupação que desvaloriza a dignidade humana, dado que ele exalta a escravidão e a exiguidade da qualidade de vida do povo. Ocorre que, embora o período colonial tenha ficado para trás, a desigualdade social que começou a ser construída naquela época ainda assola diversas famílias brasileiras. Como resultado, muitos jovens, a fim de ajudarem a levar o sustento para os seus lares e sobreviverem, acabam deixando as escolas precocemente.

Além do mais, o modelo arcaico de ensino no país é um agravante dessa situação. No texto “Gaiolas e asas”, do educador e teólogo Rubem Alves, é feita uma metáfora comparando a educação tradicional conteudista com gaiolas que impedem que os estudantes sejam preparados para a vida, quando na verdade, ela deveria ser uma “incentivadora de voos”. Sendo assim, muitos alunos se sentem desmotivados a continuar frequentando as salas de aula, pois o conhecimento passado de maneira unilateral dos professores para eles não tem aplicação prática no cotidiano, nem auxilia no desenvolvimento pessoal. Logo, é necessário que esse modelo de ensino seja repensado.

Enfim, é notório que ações precisam ser feitas para impedir a evasão escolar. Portanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC), desenvolver um programa que forneça auxílio financeiro para os alunos em situação de vulnerabilidade social. Além de promover uma reforma na educação brasileira com o apoio de docentes e discentes, e tendo como referência as ideias que Paulo Freire, educador e filósofo brasileiro, propagou em obras como “Pedagogia da autonomia”. Como efeito disso, os educandos terão condições de permanecerem nas escolas, e vão de fato querer estar nesse ambiente, visto que serão protagonistas da própria educação.